Moçambique e São Tomé poderão reforçar cooperação económica com equipas de trabalho

Moçambique e São Tomé e Príncipe poderão reforçar a cooperação bilateral através de equipas de trabalho dedicadas à identificação de áreas prioritárias e à transformação das oportunidades existentes em projectos concretos, com particular atenção para o comércio, agricultura, pescas e formação.

A proposta foi apresentada esta quinta-feira, 3 de Setembro, pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, em São Tomé e Príncipe, onde representa o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, na cerimónia de tomada de posse do Presidente reeleito daquele país, Carlos Vila Nova.

Benvinda Levi considerou que os dois países já possuem uma relação consolidada no domínio político-diplomático e na formação, mas defendeu a necessidade de ampliar a parceria para sectores com potencial directo para gerar actividade económica.

Moçambique e São Tomé e Príncipe mantêm actualmente cooperação na formação de quadros, com estudantes são-tomenses a beneficiarem de formação em áreas como medicina, polícia e justiça. Existe igualmente abertura para aumentar as oportunidades de formação e o número de bolsas atribuídas a cidadãos de São Tomé e Príncipe.

“Temos boas cooperações na área político-diplomática, mas as outras áreas, fora esta da formação, não têm sido muito desenvolvidas”, afirmou Maria Benvinda Levi.

A Primeira-Ministra defendeu que existe espaço para uma nova dinâmica nas relações bilaterais, tendo em conta as potencialidades e necessidades complementares dos dois países.

Comércio pode abrir novas oportunidades

No domínio económico, o comércio surge como uma das áreas com maior potencial de expansão.

São Tomé e Príncipe dispõe de produtos como cacau e café, enquanto Moçambique possui capacidades e oportunidades no sector agrícola que podem responder a necessidades do mercado são-tomense.

A cooperação poderá, desta forma, criar novas oportunidades para a circulação de produtos, troca de experiências e estabelecimento de relações comerciais entre empresas dos dois países.

A agricultura poderá igualmente beneficiar de uma maior partilha de conhecimento e de experiências, sobretudo em áreas relacionadas com produção e aproveitamento económico dos recursos disponíveis.

A pesca é outra área identificada pela Primeira-Ministra como estratégica para o aprofundamento da cooperação.

São Tomé e Príncipe possui experiência relevante neste sector, enquanto Moçambique dispõe de uma extensa costa marítima e de um sector pesqueiro com potencial para expansão.

A aproximação entre os dois países poderá permitir a troca de experiências e a identificação de oportunidades de cooperação capazes de fortalecer as actividades económicas ligadas ao mar.

Equipas de trabalho devem transformar potencial em projectos

Para evitar que as novas áreas de cooperação permaneçam apenas no plano das intenções, Benvinda Levi propôs a criação de equipas de trabalho entre Moçambique e São Tomé e Príncipe.

A missão destes grupos será identificar as principais necessidades de cada país, seleccionar os sectores prioritários e avaliar as oportunidades com maior potencial para uma implementação efectiva.

“O importante é que os dois países formem equipas de trabalho e identifiquem quais são as suas necessidades mais importantes”, sublinhou a Primeira-Ministra.

A partir deste exercício, os dois países poderão definir projectos e mecanismos de cooperação mais ajustados às suas realidades e com maior possibilidade de produzir resultados concretos.

Apesar da intenção de diversificar a cooperação económica, a formação continuará a constituir uma das áreas importantes da relação bilateral.

Moçambique já recebe estudantes e quadros são-tomenses em diferentes áreas, havendo abertura para ampliar este intercâmbio, incluindo através do aumento das bolsas disponibilizadas e da formação no Centro de Instrução de Polícia.

Para Benvinda Levi, o reforço da formação poderá contribuir para a qualificação dos recursos humanos são-tomenses e, simultaneamente, consolidar uma relação de cooperação construída ao longo dos anos.

A nova abordagem proposta pela Primeira-Ministra procura, assim, combinar formação, comércio, agricultura e pescas, criando uma base mais diversificada para as relações entre Maputo e São Tomé.

A visita de Benvinda Levi ocorre no contexto da tomada de posse de Carlos Vila Nova para um segundo mandato como Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, depois de ter sido reeleito, em Julho, com 55,88% dos votos à primeira volta.

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