Conexões Afro-Lusófonas #12: Guiné Equatorial tem taxa de alfabetização superior a 90% – Jornal da USP
O país possui uma taxa de alfabetização superior a 90%, destaca-se como o único do continente africano a ter o espanhol como idioma oficial, , ao lado do francês e do português
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Neste episódio do Conexões Afro-Lusófonas, os professores Paulo Speller e Yaurelis Palácios, da Universidade Afro-Americana da África Central (AAUCA), conversam com o jornalista Antonio Carlos Quinto e com o professor Ricardo Alexino Ferreira sobre a educação e a cultura na Guiné Equatorial. Speller, que é brasileiro, ocupa o cargo de reitor da instituição. Yaurelis, que veio da Venezuela e está na AAUCA há seis anos, fez estágio pós-doutoral em Educação, Sociedade e Ambiente .
De acordo com Speller, os baixos índices de analfabetismo no país devem-se, entre outros fatores, às suas dimensões territoriais . “Somos um país pequeno e contamos com uma rede de educação básica altamente capilarizada, que atinge praticamente toda a população”, explicou o reitor.
A AUUCA vem colaborando com a criação da Cátedra Unesco de Educação e Cultura Afro-Hispano-Americana, sediada na própria Universidade, na Cidade da Paz ( província de Djibloho). “A alfabetização é um dos eixos principais da cátedra, assim como os desafios que esta rede escolar enfrenta no país, a exemplo da formação de professores e da produção de materiais didáticos”, descreveu Speller, completando: “Nesse sentido, contamos com a importante colaboração da professora Yaurelis Palácio”. A Cátedra completou um ano em abril deste 2026.
Sob a coordenação da professora Yaurelis, a Cátedra desenvolve um projeto que acolhe crianças desde a pré-escola. “O acompanhamento segue até o que vocês, no Brasil, denominam ensino médio”, pontuou a professora. A iniciativa faz uma analogia com a ceiba, que é a árvore nacional e em semente, porque é aquilo que germina. “Buscamos comparar essa semente que germina com as crianças, que no final se desenvolvem”, explicou a docente. Ela destacou ainda que o projeto é estruturado em quatro grandes blocos pensados para apoiar o crescimento dos estudantes e o trabalho dos educadores. Ou seja: a formação das crianças, a capacitação dos docentes, o envolvimento da comunidade, e a identificação das carências do sistema para a futura melhoria da infraestrutura.
Línguas vernáculas
Outra iniciativa em andamento na AAUCA é a criação de uma Academia de Línguas Vernáculas de Guiné Equatorial. “A Guiné Equatorial é o único país africano, entre os 55 do continente, que tem o espanhol como uma de suas línguas oficiais. Além dos idiomas oficiais: espanhol, francês e português, existem cinco ou seis línguas nacionais, vernáculas, que são faladas pela população até hoje”, destacou o reitor.
Speller lembrou também que a Guiné Equatorial tem uma população de aproximadamente 1,6 milhão de habitantes. “É um território com cerca de 28 mil quilômetros quadrados, mais ou menos o tamanho de um estado brasileiro como Sergipe”, comparou.
Desde janeiro deste ano, o país tem nova capital. Cidade da Paz substituiu Malabo de acordo com um decreto assinado pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.


Conexões Afro-Lusófonas
Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto)
Apresentador: Antonio Carlos Quinto
Narradora: Tabita Said
Participação: Ricardo Alexino Ferreira
Edição e captação de áudio: Julio Cesar Bazanini
Identidade Sonora: Bruno Torres
Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado
É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link.
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