“Foram identificados vestígios materiais associados à antiga `Frigideira`, estrutura de isolamento disciplinar reconhecida como o principal dispositivo de punição extrema do sistema prisional instalado no local”, descreveu em comunicado.
A estrutura é uma marca da repressão vivida durante a ditadura portuguesa e foi construída após uma tentativa de fuga coletiva em 02 de agosto de 1937.
Era uma cela de “privação de ventilação, exposição térmica elevada e isolamento prolongado”, acrescentou.
A campanha arqueológica em curso no antigo campo de concentração, atual Museu da Resistência, serve para preparar a candidatura do espaço a Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).
Os trabalhos são realizados pelo Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde e contam com a participação de André Teixeira, professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
A intervenção visa documentar, analisar e interpretar a evolução do complexo, com atenção às estruturas de controlo e repressão, e detetar vestígios de construções e equipamentos desaparecidos.
O campo de concentração do Tarrafal encarcerou presos políticos sob domínio colonial português em duas fases, entre 1936 e 1954 e entre 1961 e 1974, período durante o qual sofreu várias alterações.
Ao todo, foram presas no “campo da morte lenta” mais de 500 pessoas.
Numa lápide evocativa erguida no interior do campo estão inscritos os nomes de 36 pessoas que ali morreram: 32 portugueses, dois guineenses e dois angolanos.
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