Música, exposições e tecnologia marcam o 7 de setembro em Beijing – Rafael Henrique Zerbetto – Brasil 247
No dia 15 de agosto, Brasil e China celebraram 52 anos do estabelecimento de suas relações diplomáticas. Ao longo dessas mais de cinco décadas, a parceria entre os dois países se consolidou como uma das mais relevantes para o desenvolvimento de ambos, com a China sendo o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.
Festival promove o Brasil na China
Poucos dias antes das comemorações do 7 de setembro, a capital chinesa, Beijing, foi palco de uma série de eventos que evidenciam o aprofundamento dos laços culturais entre as duas nações. Um dos destaques foi a realização do Festival Brasil, organizado conjuntamente pela Embratur, pelo Ministério da Cultura do Brasil e pela usina hidrelétrica de Itaipu, no distrito 798 da capital chinesa entre os dias 2 e 6 de setembro.
Com o tema Rios Aéreos: Um Brasil Diverso e Sustentável, o evento teve uma exposição temática, experiências culturais imersivas, três mesas de debate e diversas apresentações de música e dança para promover o Brasil na China.
Assim que a isenção de visto para chineses que visitam o Brasil a turismo, negócios ou visita familiar entrou em vigor, em 11 de maio deste ano, o Brasil registrou um recorde histórico na chegada de turistas do país asiático: ainda naquele mês, foram 15.380 visitantes chineses, um aumento de 75% em comparação a maio de 2025.
O aumento no fluxo de turistas chineses foi um dos principais responsáveis por um momento muito positivo para o setor turístico brasileiro. Nos primeiros cinco meses de 2026, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil somaram R$ 25 bilhões, um recorde histórico e um crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2025, com o setor de bares e restaurantes registrando um crescimento de 4,6% nas vendas em maio, impulsionadas pelo turismo internacional.
Os gastos dos turistas chineses no Brasil têm incentivado a Embratur a dar maior importância à promoção do Brasil no mercado chinês, o que contribui para o fortalecimento da economia brasileira através do turismo. Durante o festival em Beijing, a exposição Rios Aéreos apresentou os biomas amazônico, caatinga, cerrado, pantanal, mata atlântica e pampa por meio de fotografias, xilogravuras e experiências imersivas por realidade virtual.
Dez performances de artistas brasileiros trouxeram a música e as danças do país ao público chinês, apresentando samba, choro, MPB, bossa nova, jazz e ritmos contemporâneos, além de apresentações de Capoeira, Axé Capoeira e Maculelê com o Mestre Eddy.
Na instalação Casa Biomas, uma exposição de obras de artesanato tradicional brasileiro reunindo obras de cerca de 60 artesãos, criadas a partir de materiais locais e técnicas tradicionais, apresentou a riqueza cultural dos seis biomas brasileiros.
Paralelamente, o Museu Nacional da China sedia a mostra “O Brasil de Portinari”, que reúne 56 obras originais de um dos maiores nomes da arte moderna brasileira, que apresenta ao público chinês um retrato autêntico do Brasil. A exposição fica em cartaz até outubro e a resposta do público chinês tem sido positiva.
Filarmônica da UFRN brilha na China
Outro destaque da programação cultural que aproxima os dois países foram as apresentações da Filarmônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na China, sob a regência de André Muniz, com o concerto “Novas Rotas, Novos Sons: Música do Nordeste Brasileiro”.
A orquestra, composta exclusivamente por estudantes, viajou para o país asiático entre os dias 25 de agosto e 8 de setembro para uma turnê de intercâmbio artístico e cultural. As apresentações, nas cidades de Hangzhou e Beijing, são fruto de um projeto de intercâmbio pedagógico e cultural que visa fortalecer a formação musical e a internacionalização da universidade.
A iniciativa contou com o apoio de parceiros brasileiros e chineses, reforça o papel da música como uma ponte para o diálogo entre as nações, levando a produção artística brasileira a novos públicos e consolidando a amizade entre os dois países.
No dia 6 de setembro, a orquestra apresentou um concerto especial no prestigiado Teatro Nacional de Ópera de Beijing, com a presença de autoridades chinesas, representantes de embaixadas estrangeiras e personalidades da capital chinesa.
O programa incluiu obras de diversos compositores brasileiros, entre eles Carlos Gomes, César Guerra-Peixe e Zequinha de Abreu, e clássicos dos chineses Zheng Qiufeng e Liu Chi.
Tendo a pianista chinesa Nan Qi e seu colega brasileiro Durval Cesetti como solistas, tocando piano a quatro mãos, a obra “É preciso navegar, juntos no mesmo barco”, composta por Fernando Deddos, fez sua estreia mundial, sendo um dos destaques da programação.
As canções chinesas contaram com as vozes de nove sopranos chinesas, sendo que uma das peças, “Minha Pátria”, composta por Liu Chi em 1950, tem um simbolismo forte para a amizade Brasil-China: em novembro de 2024, ao som desta mesma canção, interpretada pela soprano brasileira Marília Vargas, o presidente Lula recepcionou o presidente chinês Xi Jinping no Palácio da Alvorada.
Com um repertório marcado por criatividade e experimentação nos arranjos, misturando o erudito com o popular e buscando interação com o público, a Filarmônica da UFRN representou brilhantemente o nosso país, mostrando um panorama da tradição musical brasileira, com destaque aos ritmos nordestinos, e encerrando a apresentação com o maestro regendo não mais a orquestra, e sim o público que acompanhava com palmas.
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