Colômbia e Uzbequistão juntaram-se para mostrar a Portugal que este grupo está cheio de rasteiras

Vamos diretos ao assunto: o ponto conquistado contra a República Democrática do Congo e o facto de passarem oito dos 12 terceiros classificados deste Mundial fazem com que uma vitória de Portugal em qualquer um dos dois jogos que faltam seja suficiente para o apuramento.

Além disso, Portugal está obrigado a ganhar ao estreante Uzbequistão, sendo que também se exige que não perca com a Colômbia.

Dito isto, as duas tarefas a que propomos a Portugal nos dois próximos jogos talvez não sejam assim tão fáceis. Se no caso da Colômbia isso já era mais ou menos sabido, a postura do Uzbequistão no jogo de estreia deve mostrar à Seleção que pode ter um jogo traiçoeiro pela frente.

São as duas grandes lições que se podem retirar do jogo entre Uzbequistão-Colômbia, que às altas horas da madrugada em Portugal protagonizaram um jogo que se desenrolou de uma forma que nem todos podíamos esperar.

A Colômbia é e foi melhor, mas encontrou dificuldades para furar a resistência uzbeque na primeira parte, só tendo encontrado o caminho pela via de um passe magistral e de uma finalização igualmente potente de Daniel Muñoz.

Os cafeteros estavam a ser mais intensos, mas não estavam a ter facilidade em furar a muralha de uma seleção treinada por um dos melhores a parar ataques dentro de campo. Ele mesmo, o último defesa a ganhar a Bola de Ouro, Fabio Cannavaro.

Apanhada a ganhar, a Colômbia desceu as linhas e convidou o Uzbequistão a mostrar o que faz em futebol organizado. A equipa asiática tem poucos argumentos neste ponto, mas Abdukodir Khusanov, central do Manchester City e grande figura desta seleção, tem uma palavra a dizer neste ponto. No fim do dia, o Uzbequistão pode até ser a equipa mais fraca do grupo, mas não são toscos autênticos. Não são, com todo o respeito, um Haiti ou um Curaçau.

O convite à subida de linhas acabou por resultar num golo de Abbosbek Fayzullaev, jovem avançado do İstanbul Başakşehir que é outra das figuras desta seleção. À beira da baliza depois de uma intervenção menos conseguida de Camilo Vargas, o avançado só teve de encostar.

Forçada a subir novamente a intensidade, a Colômbia escudou-se num meio-campo potente composto por Jefferson Lerma e Gustavo Puerta para levar a partida para uma dimensão mais física – Richardo Ríos entrou depois para manter a toada -, o que resultou numa recuperação alta no terreno.

Campo aberto para correr e Luis Díaz disparado dá golo, claro. E deu mesmo, ainda que a finalização do antigo ala do FC Porto não tenha sido a mais feliz, sendo necessária uma pequena ajuda de Utkir Yusupov para que a bola entrasse mesmo.

O Uzbequistão ainda tentou esboçar uma reação, mas a Colômbia conseguiu congelar o jogo de diferentes formas, não permitindo muito mais até ao fim, até porque a equipa asiática parece ter quebrado fisicamente a dada altura.

Já para lá dos oito minutos de desconto Jaminton Campaz ainda aproveitou para selar a partida num 1-3 favorável à Colômbia.

A vitória da Colômbia, mas também a resposta a espaços eficaz do Uzbequistão, deixam duas lições que Portugal tem mesmo de apreender.

Em relação ao próximo jogo, com a equipa asiática, é preciso encontrar formas de furar um bloco que deverá começar baixo e coeso, tendo sempre a atenção na capacidade técnica a sair em contragolpe que, embora não abunde, existe em alguns jogadores.

Já sobre a Colômbia, onde já antecipávamos que residia o grande perigo deste grupo, fica uma sensação de que vêm aí problemas, até pelas dificuldades que Portugal tem tido. São vários os momentos a sofrer em transição defensiva – viu-se contra a Nigéria -, pelo que imaginar esse cenário contra um ataque que tem Luis Díaz e Luis Suárez a correr enquanto James Rodríguez a meter bolas é claramente preocupante.

Caso os dois jogos não sejam bem preparados, Portugal pode cair numa das várias rasteiras que um grupo teoricamente acessível pode pregar.


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