Pietro Graza de Lima, brasileiro de 57 anos que vivia na Flórida, foi deportado pelos Estados Unidos com destino à Guiné Equatorial no final de agosto, e não ao Brasil. A deportação ocorreu em companhia de nacionais de Cuba e Camarões, depois que Lima se recusou a desembarcar de uma aeronave na Libéria em (20/08).
O Itamaraty tomou conhecimento da deportação em (25/08), por meio das autoridades locais da Guiné Equatorial. Na quarta-feira (02/09), o chefe do departamento consular do país africano recebeu o embaixador brasileiro e informou que Lima “está em boa situação de saúde, hospedado em hotel determinado pelas autoridades locais”. O ministério informou que Lima se encontra no Hotel Bamy, propriedade sob controle da ditadura da família Obiang.
Recusa no avião e celular retirado
Segundo a esposa de um dos cubanos deportados no mesmo voo, Lima foi um dos imigrantes que se recusaram a descer do avião quando ele pousou na Libéria. A resistência resultou no envio do grupo para a Guiné Equatorial. A mesma fonte relatou que o celular de Lima foi retirado por policiais armados cinco dias antes de (02/09).
A Guiné Equatorial é governada por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo há meio século. O vice-presidente Teodorín, filho de Obiang, afirmou em suas redes sociais que cidadãos cubanos deportados terão direito de pedir asilo. Sobre o brasileiro, nada foi dito.
A legislação local estabelece um prazo máximo de 60 dias de retenção para imigrantes antes que sejam encaminhados a seus países de origem.
Política de deportação para países terceiros
A deportação de Lima faz parte de uma estratégia do governo Donald Trump de firmar acordos com outros países para receber imigrantes de qualquer nacionalidade. Até agora, os EUA fecharam esse tipo de contrato com mais de 30 nações.
Segundo dados do Third Country Deportation Match, desde o ano passado foram realizados seis voos de deportação com destino à Guiné Equatorial. Ao todo, ao menos 53 imigrantes foram levados nesses voos.
O Brasil, por sua vez, recebe quase semanalmente voos com dezenas de deportados brasileiros vindos dos EUA, esses, porém, são enviados diretamente ao país de origem.
Antecedentes de Lima no Brasil
Em 2016, Lima foi preso em Recife no momento em que entregava anabolizantes adulterados. As investigações conduzidas à época revelaram a existência de um laboratório clandestino sob sua responsabilidade, utilizado para manipulação e produção dessas substâncias.
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