Avaliada em R$ 1,2 bilhão, fortuna de Nelson Wilians coloca estilo de vida e negócios do ‘advogado ostentação’ sob holofotes – Brasil 247
247 – Avaliada pela revista Forbes em R$ 1,2 bilhão no ano de 2020, a fortuna do advogado Nelson Wilians coloca em evidência a trajetória de um dos nomes mais vistosos do meio jurídico nacional, famoso por ostentar um estilo de vida de altíssimo padrão nas redes sociais com viagens pelo mundo e passeios em iates de luxo. O patrimônio bilionário e as movimentações financeiras do titular do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) ganharam novos contornos após o jurista se tornar alvo de buscas da Polícia Federal no âmbito da Operação Arena, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro decorrente de jogos de azar e apostas esportivas, informa o jornal O Globo.
Conhecido no meio jurídico e na internet como “advogado ostentação”, Wilians construiu o que a revista Veja classificou em 2016 como a maior banca de advocacia da América Latina. Em entrevista concedida à Forbes em 2024, o próprio jurista relatou como elevou sua firma ao patamar de “mais relevante da América Latina”, comandando 29 filiais espalhadas por todas as unidades da federação no Brasil, além de representações no exterior, com presença nas Américas, na Europa e na Ásia.
O contrato de R$ 677 milhões que projetou o império
O grande salto financeiro e a consolidação do poderio econômico do escritório ocorreram a partir de um contrato milionário fechado com o Banco do Brasil. A licitação lançada pela instituição financeira pública em 2013 previa um montante de R$ 967 milhões em honorários destinados à contratação e terceirização de serviços de advocacia.
Daquele total, o escritório de Nelson Wilians conseguiu arrematar 70% do lote, o equivalente a cerca de R$ 677 milhões. O processo licitatório enfrentou contestação e chegou a ser suspenso em diversos momentos ao longo de dois anos, até a assinatura definitiva do contrato em 2015.
“Nessa hora o mercado me percebeu”, afirmou Wilians na ocasião à Forbes, ressaltando o divisor de águas em sua carreira. “— “Até então, me chamavam de louco. A partir daí, passei a ser o Nelson corajoso”, completou o advogado, fazendo referência ao negócio que deu projeção e volume financeiro inéditos ao seu trabalho no cenário nacional.
Movimentações de R$ 4,3 bilhões e elo com investigações
A amplitude da fortuna e da estrutura financeira gerida pelo advogado também já havia entrado na mira de autoridades em outras frentes. Em apurações relativas a um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), relatórios de inteligência financeira citados no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) apontaram movimentações da ordem de R$ 4,3 bilhões envolvendo o escritório NWADV.
Esses documentos identificaram transações diretas de cerca de R$ 28 milhões entre a banca e pessoas e empresas ligadas ao empresário Maurício Camisotti, apontado pelas investigações como um dos principais operadores das fraudes contra os aposentados do INSS.
Diante dessas suspeitas, a defesa de Wilians, representada pelo advogado Santiago Shunck, esclareceu que as apurações iniciais versavam sobre “uma suposta lavagem de dinheiro relacionada à compra de um imóvel do Sr. Maurício Camisotti”. Segundo a defesa, as negociações comerciais foram totalmente regulares e ocorreram “muito antes de ele prestar serviços ao INSS”, consistindo na aquisição de um terreno vizinho à residência de Nelson. Wilians nega veementemente qualquer irregularidade e destaca que nem ele nem sua banca de advocacia sofreram condenações em nenhum processo.
A Operação Arena e o bloqueio de R$ 1,1 bilhão
No desdobramento mais recente, a Polícia Federal realizou buscas na mansão do jurista para colher documentos e provas, sob a suspeita de que ele atuaria como operador financeiro de uma organização que utilizava estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar valores provenientes de apostas esportivas e jogos de azar.
Ao todo, a Operação Arena cumpriu 17 mandados expedidos pela 4ª Vara Federal da Paraíba, com ações distribuídas nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. A Justiça Federal autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos envolvidos, além de determinar o bloqueio e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens das pessoas e empresas investigadas. Os citados poderão responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.
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