Mercadante critica Flávio Bolsonaro por intenção de oferecer aos EUA participação e dados críticos do Brasil | Brasil
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, criticou proposta do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de oferecer participação ao governo dos Estados Unidos e de abrir informações consideradas estratégicas sobre minerais críticos e Margem Equatorial caso vença as eleições. Segundo ele, o PT entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Flávio.
Mercadante falou com jornalistas depois de participar de cerimônia de adesão do Rio aos programas florestais, em parceria com o BNDES, ressaltando que as afirmações dele não são feitas como presidente da instituição, mas como ex-coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, e da transição de governo.
Na semana passada, Flávio divulgou carta que recebeu do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, como resposta ao pedido dele para que o governo Donald Trump não aplique tarifas de 25% contra o Brasil. No documento, Rubio agradece a oferta de Flávio, caso eleito presidente da República em outubro, de colocar uma equipe de transição à disposição do governo americano. O secretário chamou a oferta de generosa. Para Mercadante, é inadmissível que um pré-candidato forneça informações estratégicas do Brasil aos EUA, muitas delas sigilosas.
“Não estou falando de especulação, mas de informação pública do primeiro escalão de Trump dizendo que foi oferecida participação na transição do Brasil”, disse Mercadante.
Mercadante explicou que, como membro da coordenação de campanha e da transição em 2022, era responsável por 35 grupos técnicos e que o governo é obrigado a fornecer todas as informações solicitadas ao candidato eleito, no âmbito da transição. Essa obrigação é ancorada em lei, disse. Nesse momento, explicou, a equipe assume formalmente o compromisso de guardar sigilo das informações transferidas que são consideradas estratégicas.
Como exemplo, Mercadante contou que a equipe de transição manteve visitas ao Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), ao Ministério da Defesa e ao BNDES. Nessas instituições, os envolvidos na transição tiveram acesso a informações sobre pré-sal e Margem Equatorial, às demandas da indústria de defesa e aos financiamentos a projetos de minerais críticos.
“É uma questão de soberania. Como é que você pode oferecer para uma potência estrangeira que ela vai participar da transição e ter acesso a essas informações?”, questiona Mercadante.
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