Apoiantes de Sánchez manifestam-se no Peru “em defesa do voto popular”

Lima, 14 jun 2026 (Lusa) – Centenas de apoiantes do candidato de esquerda Roberto Sánchez, que disputa a Presidência do Peru com a candidata de direita Keiko Fujimori, marcharam este sábado em Lima, sob forte escolta policial, para exigir transparência na contagem dos votos.

Com a contagem a 98,552%, Fujimori vence a segunda volta presidencial com uma vantagem de 18.500 votos, tendo obtido 50,051% dos votos contra os 49,949% obtidos por Sánchez.

Os peruanos aguardam que os júris eleitorais especiais (JEE) resolvam as 1.340 atas contestadas, verificadas e que contêm erros materiais, um processo que ainda se prolongará por vários dias ou até semanas.

Enquanto se aguarda a definição do resultado oficial, o partido de Sánchez, Juntos por el Perú, alertou para indícios de supostas irregularidades nas mesas de voto na capital, em regiões do norte onde Fujimori tem mais apoio e também no estrangeiro.

Coletivos, sindicatos e simpatizantes do candidato de esquerda reuniram-se na tarde de sábado na emblemática Praça San Martín, no centro de Lima, e dirigiram-se à sede do Jurado Nacional de Eleições (JNE) – a autoridade máxima eleitoral do Peru – para defender “a vontade popular” expressa nas urnas e exigir total transparência durante a fase de revisão das atas.

Durante o protesto, levantaram-se cartazes de Fujimori, em que aparecia caracterizada como um rato e como um demónio, e os presentes expressaram rejeição por um eventual governo da filha e herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori.

Pouco antes da marcha, a Juntos por el Perú denunciou, em comunicado, que a câmara municipal de Lima, liderada pelo partido ultraconservador Renovación Popular, cercou grande parte do centro histórico da cidade, “violando a livre circulação e o direito à manifestação”, e classificou esta medida como “uma resposta política arbitrária, inconstitucional e ilegal”.

A manifestação contou também com a presença de simpatizantes provenientes de diferentes regiões do interior do país e familiares das vítimas assassinadas nos protestos antigovernamentais de finais de 2022 e início de 2023, que apoiavam o ex-presidente Pedro Castillo (2020-2021), que Sánchez promete tirar da prisão.

Houve também protestos em outros pontos do país, como Chiclayo, no norte, e Arequipa, Puno e Ayacucho, no sul.

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