No relatório Perspetivas Económicas Africanas divulgado em Brazzaville, no encontro anual do BAD, indica-se que “as perspetivas de crescimento mantêm-se positivas” para 2026 e 2027 através da “recuperação do turismo, da construção, das obras públicas de infraestrutura e do investimento em energias renováveis para aliviar as restrições energéticas”.
A instituição prevê que a “despesa pública deverá continuar orientada para os mais pobres”, esperando que “a consolidação orçamental reforce a arrecadação de receitas”.
Na análise do BAD, as reformas institucionais ligadas à Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2026–2040 “poderão melhorar gradualmente os fluxos de investimento direto estrangeiro” no país.
A instituição recordou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tem sido progressivo depois dos 1,1% registados em 2024 e dos 2,1%, em 2025.
Ainda assim, avisou que os principais riscos para a economia este ano dizem respeito aos “preços globais das matérias-primas, particularmente uma eventual nova queda dos preços do cacau e um aumento dos preços dos combustíveis motivado pelas tensões no Médio Oriente”.
Estes fatores, observou, podem “agravar ainda mais as pressões sobre a balança de pagamentos”.
Para além disso, o BAD aponta ainda a “lentidão das reformas no setor energético”, a redução “dos fluxos de ajuda externa”, o crescimento do protecionismo no país e os dos “impactos das alterações climáticas” como riscos para a economia são-tomense.
O ciclo eleitoral — São Tomé e Príncipe tem presidenciais marcadas para 19 de julho e legislativas, autárquicas e regionais a 27 de setembro – poderá, por um lado “acelerar a execução de projetos públicos visíveis, mas também “deslocar o foco das políticas para prioridades de curto prazo, atrasar reformas estruturais e aumentar os desvios orçamentais, enfraquecendo assim a estabilidade macroeconómica e o impulso reformista no médio prazo”, avisou a instituição.
No relatório “Perspetivas Económicas de África 2026: Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado” o BAD prevê que crescimento económico de África deverá abrandar para 4,2% este ano ou até para 4% se o conflito no Médio Oriente se prolongar.
O relatório foi apresentado no encontro anual do Grupo BAD, no qual representantes dos 81 países membros, entre chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, incluindo de países africanos lusófonos, vão analisar os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.
O lema das reuniões deste ano é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado” e junta mais de 3.000 mil pessoas, até sexta-feira, na capital da República do Congo, Brazzaville.
As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o Ébola, que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDCongo) por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, com o Banco a adotar “um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas”.
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