Ler Resumo
Após comparecerem às urnas para o segundo turno das eleições presidenciais no domingo 7, os eleitores do Peru terão de aguardar até um mês para saber quem será o vencedor da disputa entre o esquerdista Roberto Sánchez e a conservadora Keiko Fujimori. Informações divulgadas pelo Júri Nacional de Eleições (JNE) ao longo desta semana indicam que o resultado final só deve ser anunciado em julho, devido aos prazos previstos no processo eleitoral peruano.
“Estimamos que os resultados eleitorais possam ser divulgados, considerando que há uma disputa acirrada entre os dois candidatos, em cerca de 30 dias, em um mês, por uma razão específica: nosso sistema eleitoral, jurisdicional, é muito garantista. Ele estabelece prazos peremptórios que devem ser respeitados na tramitação. Não sabemos qual será a carga hoje em relação a incidentes, observações ou pedidos de nulidade”, afirmou o presidente do JNE, Roberto Burneo.
+ Contagem dos votos no Peru tem nova virada em disputa acirrada entre Fujimori e esquerdista
A declaração expõe a complexidade do processo eleitoral no país, onde o fim da contagem dos votos não significa, necessariamente, o encerramento da eleição. No Peru, a apuração é conduzida pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), responsável por reunir e contabilizar as cédulas de papel utilizadas no pleito. Essa etapa, porém, não basta para proclamar oficialmente o vencedor.
Depois disso, o processo precisa passar por duas instâncias de revisão. Os Juris Eleitorais Especiais (JEE) analisam eventuais inconsistências, observações e pedidos de nulidade, enquanto o Juri Nacional de Eleições fica responsável por solucionar recursos contra decisões dos JEE e proclamar o resultado final.
O rito pode ser decisivo em uma eleição tão apertada como a de 2026. Até aqui, Fujimori aparece à frente por uma margem de somente 561 votos válidos, em um cenário no qual votos do exterior e atas contestadas ainda podem influenciar o resultado.
A demora na apuração tem alimentado a desconfiança em um país marcado por profunda instabilidade política. O Peru teve nove presidentes nos últimos dez anos, em meio a sucessivas crises politicas. Três chefes de Estado foram removidos pelo Congresso, dominado pelo Fuerza Popular, partido de Fujimori.
Nova virada
Na noite de quarta-feira 10, a eleição teve uma nova virada, quando a conservadora Keiko Fujimori retomou a liderança na acirrada disputa contra o rival de esquerda, Roberto Sánchez.
Com 50,002% de apoio, Fujimori abriu uma vantagem apertada sobre os 49,998% de Sánchez, uma diferença meros 650 votos. Segundo a Comissão Nacional Eleitoral do Peru (ONPE), 98,21% das urnas foram apuradas, ou cerca de 18 milhões de votos.
São poucas cédulas as que ainda precisam ser contabilizadas. No entanto, 1,76% das urnas (aproximadamente 400 mil votos) foram sinalizadas para revisão judicial – um processo que pode levar semanas. A maioria das seções eleitorais contestados ficam na região metropolitana de Lima, reduto eleitoral de Fujimori.
Os dois candidatos estiveram praticamente empatados durante toda a apuração. Enquanto Fujimori liderou as pesquisas de boca de urna, Sánchez ficou ligeiramente à frente na contagem rápida da Ipsos, que tem previsto com precisão eleições anteriores.
Ambos pediram calma e paciência durante toda a apuração, mas o candidato esquerdista – que ultrapassou a rival na segunda 8, impulsionado pelos votos de áreas rurais – começou a endurecer o tom na quarta-feira e pediu uma reunião com observadores internacionais para discutir “desenvolvimentos estranhos, incomuns e questionáveis”.
Crédito: Link de origem