Ao CEO do Futuro peço: não confundas tecnologia com destino

Caro CEO do Futuro, 

Escrevo-te com um entrelaçado de experiência primária, profissional e acima de tudo de vida. 

Nasci em 1981, em Campo Maior, onde a tecnologia chegava devagar e a vida avançava no ritmo da terra. Crescer no Alentejo interior ensinoume algo que nenhuma das escolas de gestão por onde passei superou. Ser consciente da paciência e visão de quem semeia antes de ver, e a responsabilidade de cuidar antes de colher. O Alentejo dos anos 80 era uma metáfora perfeita para gestão e liderança. Poucos recursos, muito engenho e a consciência de que o futuro só acontece quando alguém o prepara com sonhos e valores. 

Ao longo das últimas quatro décadas, vi a gestão transformarse tantas vezes quanto o próprio país e mundo. Passámos da liderança hierárquica para a colaborativa, da intuição para os dados, do controlo para a autonomia. E, sobretudo nos últimos anos, testemunhei o que significa liderar num mundo em que a tecnologia deixou de ser suporte e passou a ser uma força motriz. Como Managing Director da Claranet Portugal num setor tecnológico e inovador, aprendi que a liderança moderna exige respeito coletivo, humildade para aprender, coragem para decidir e clareza para transformar – com paciência e visão. 

Em 2045, ano em que termino o meu percurso profissional e tu passas a liderar, acredito que o papel de um CEO será radicalmente diferente – mas não mais simples. A inteligência artificial, de forma ampla, está omnipresente, mas não omnisciente. Lideras pessoas, máquinas e agentes, num enlace profundo, mas não absoluto. O mundo será mais rápido, mais imprevisível e mais interdependente do que qualquer geração anterior imaginou. Os mais novos não sabem o que é o mundo analógico. 

Por isso, deixote esta mensagem curta. Não confundas tecnologia com destino. A inovação será a tua maior vantagem, mas também o teu maior risco. Liderar será equilibrar velocidade com ética, eficiência com humanidade, dados com razão e consciência. Rodeiate de pessoas que te contradigam com rigor e que te desafiem com integridade. Cria culturas onde errar cedo é melhor do que falhar tarde. E lembrate de que a tua organização não será medida apenas pelo que constrói, mas também pelo que protege – pessoas, confiança e propósito não são substituíveis por nenhuma doutrina, seja AI, blockchain ou quantum. 

Que continues a semear, mesmo quando não vês ainda o campo florescer. É assim que o Alentejo me ensinou a pensar o futuro – e é assim que te desejo que o conduzas. Termino com reticências, deixando tudo em aberto para ti… 

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