Em reunião do Bureau Político da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), esta sexta-feira (18.09), a direção liderada por Nimi-a-Simbi, remarcou para de 25 a 27 de novembro o VI Congresso Ordinário e de renovação de mandatos, justificando o adiamento com dificuldades financeiras.
“A comissão preparatória apresentou [nesta reunião] a dificuldade [financeira] uma vez que estava tão próxima a realização do congresso, mas era apenas uma data anunciada, porque ainda não havia sido convocada, logo a data do congresso foi alterada para 25,26 e 27 de novembro”, afirmou a porta-voz da FNLA, Maria Bunlevu.
Bunlevu deu nota também que algumas assembleias provinciais para eleição de delegados estão igualmente condicionadas por limitações financeiras.
Pelo menos 17 assembleias provinciais foram já realizadas, faltando quatro, que terão lugar, segundo a porta-voz à medida que houver condições financeiras. “Porque sabemos que as assembleias requerem gastos e estes devem ser racionalizados de acordo com as verbas que forem surgindo”, concluiu Maria Bunlevu.
O congresso estava inicialmente agendado para a próxima semana (de 23 a 25 de setembro).
“Violação dos estatutos”
A decisão está a ser contestada por Ngola Kabangu, antigo líder da FNLA, que considera tratar-se de “uma violação grosseira dos estatutos”, por entender que é competência do Comité Central do partido.
A FNLA tem vivido crises internas desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007, encontrando-se divido em duas alas, uma liderada por Nimi-a-Simbi, eleito em 2021, cujo mandato termina em 30 de setembro, e outra liderada por Ngola Kabangu, que dirigiu o partido entre 2007 e 2011.
O partido tem duas comissões preparatórias para o congresso da sucessão, que soma cinco candidatos, Carlito Roberto (filho do fundador da FNLA, Álvaro Holden Roberto), Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala e Sofia Coelho Afonso.
O Comité Central da FNLA elegeu em março passado Ndonda Nzinga, afeto à ala de Ngola Kabanngu, ao cargo de coordenador da comissão preparatória do congresso, acusando Nimi-a-Simbi de «ditador, imperador e violador sistemático dos estatutos».
Em maio, o atual presidente, Nimi-a-Simbi, negou as acusações, considerou nula a comissão aprovada pelo Comité Central e elegeu João Roberto Soki-Soki como coordenar da comissão preparatória.
As cinco candidaturas à presidência do partido foram validadas pela comissão liderada por Ndonda Nzinga.
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