São mais de 100 mil, existindo uma nova vaga jovem e qualificada que fez aumenta a imigração angolana de 33 mil pessoas em 2020 para 103 mil em 2025, apresentando um crescimento de 211%.
Dado o facto de o número de óbitos de cidadãos nacionais portugueses ser superior aos nascimentos, os imigrantes, em geral , em particular os de língua portuguesa, e, nestes, os angolanos, vieram preencher necessidades essenciais nos empregos pela carência da mão-de-obra existente.
Para se ter uma ideia da contribuição dos imigrados angolanos em Portugal, basta referenciar que as entradas de descontos para a Segurança Social, pelo trabalho que prestam em Portugal, é anualmente de 206 milhões de euros, fatia não negligenciável para a auto-sustentabilidade da própria Segurança Social.
Pelo menos 68% dos imigrados angolanos têm entre 20 e 29 anos e 20,6% entre 40 e 49 , tendo como destino de residência não apenas a área de Lisboa, mas também outras regiões como no Norte do país, onde o custo de vida é menos oneroso.
Há a percepção fundamentada que a imigração angolana é superior à que as estatísticas revelam e o acentuado crescimento dos últimos anos ocorre, apesar dos constrangimentos na emissão de vistos.
Este fluxo migratório tem muito a ver com a melhoria da situação económica, sendo a canalização para a obtenção de emprego dirigida para serviços administrativos e de apoio, restauração e construção civil , existindo, porém, 5% de jovens que imigram para obter uma formação especializada e outros para propiciar aos filhos respostas mais adequadas nos domínios da educação e da saúde.
Seja como for, o inequívoco relacionamento entre os dois povos, o português e o angolano, forjou laços de afectividade, e a circunstância de os imigrantes angolanos terem familiares ou amigos próximos a viver em Portugal facilita, naturalmente, o acolhimento e a integração na sociedade portuguesa.
Hoje há uma clara percepção em Portugal da importância da presença angolana no país, portadora de uma língua comum e assente numa cultura com identidade que é também resultado de encontros seculares que tanto influenciaram a cultura portuguesa.
Aliás, Portugal é, hoje, também um país com forte emigração, sendo de sublinhar que parte das preocupações das políticas publicas prioriza a necessidade de respostas à melhoria das condições de vida, incluindo o emprego e os salários dos jovens
É que, em Portugal, o número de jovens que anualmente emigram, pelo menos 20 mil, grande parte com formação superior, é também uma perda para o país.
O fenómeno da globalização e, com ele, os constrangimentos recentes das guerras, das crises económicas cíclicas mais curtas, para além da pandemia da Covid-19, colocaram na ordem do dia a importância das consequências dos processos migratórios.
Apesar do diferente grau de desenvolvimento dos dois países, de Angola e Portugal, as políticas públicas de respostas às necessidades dos jovens, que são a garantia da esperança no futuro, são uma prioridade incontornável e o facto de mais de 50% da população de Angola ser muito jovem, com menos de 20 anos, maior prioridade representa.
A dimensão do processo migratório e a importância dos jovens impõe, por isso ,a consideração de uma forte priorização das políticas públicas nas respostas às necessidades fundamentais dos jovens.
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