Com aquisição do portefólio à família Balkany, em parceria com o Norges Bank, e de uma gestora de ativos espanhola com 130 trabalhadores, a Sierra passa a gerir 73 centros comerciais em oito países.
Fechada a compra de um portefólio de oito centros comerciais em Espanha com um valor bruto aproximado de 1,5 mil milhões de euros, naquele que é, para já, o maior negócio imobiliário do ano no país vizinho, a joint venture formada pela Sonae Sierra e pelo fundo soberano da Noruega prepara-se para analisar novas oportunidades de investimento em shoppings da Península Ibérica que se “enquadrem no seu perfil estratégico e de retorno”, incluindo ativos em Portugal.
Embora “nesta fase” o foco esteja na conclusão da operação anunciada oficialmente a 31 de julho e na “preparação da gestão [comercial] deste portefólio”, que ficará a cargo da empresa portuguesa, fonte oficial da Sonae Sierra aponta que “a avaliação de eventuais novas oportunidades será feita de forma seletiva e disciplinada, considerando a qualidade dos ativos, o respetivo alinhamento estratégico e o perfil de retorno ambicionado”.
“O mercado português beneficia de tendências macroeconómicas semelhantes às que têm sustentado o desempenho do setor em Espanha e apresenta ativos de elevada qualidade, com capacidade para gerar valor a longo prazo. Além disso, é um mercado onde a Sierra ocupa uma posição de liderança, gerindo alguns dos maiores e mais relevantes centros comerciais do país”, como o Colombo (Lisboa) ou o NorteShopping (Matosinhos), descreve.
Tendo este “conhecimento profundo do mercado, dos ativos, dos lojistas e das dinâmicas comerciais” no mercado português, o braço imobiliário do conglomerado empresarial da Maia detido pela família Azevedo, que é também dono dos supermercados Continente, assume, em declarações ao ECO, que está “numa posição privilegiada para identificar e analisar ativamente novas oportunidades”.
Neste negócio com a família Balkany, o Norges Bank Investment Management fica com uma participação de 92% do portefólio por 1,4 mil milhões de euros, enquanto a Sierra adquire os restantes 8% por 120 milhões de euros, ficando com a gestão dos espaços comerciais. Apesar de ter uma participação minoritária, a empresa portuguesa reclama que terá um papel “central” nesta parceria e que “vai muito além da participação financeira”.
Um dos contributos é precisamente a “capacidade de originação [sic], análise de investimento e execução”. Uma dimensão que, como sublinha ao ECO, será “particularmente relevante para o futuro da parceria, uma vez que permitirá identificar e avaliar, de forma seletiva e disciplinada, novas oportunidades de investimento em centros comerciais na Península Ibérica”.
Outro aporte da Sierra é o “conhecimento profundo” do setor, construído ao longo de mais de 35 anos e que “inclui a leitura das dinâmicas locais, a relação com lojistas, a compreensão dos perfis de consumo e a capacidade de identificar oportunidades de melhoria e valorização dos ativos”. O terceiro são as equipas especializadas de gestão de investimento, asset management, gestão de projetos de arquitetura e engenharia, leasing, property management, marketing e retail media. Um trio de fatores que, salienta, “torna a parceria particularmente robusta, tanto para a gestão do portefólio agora adquirido como para eventuais oportunidades futuras”.
ECO
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