Ana Marcela Cunha revela sonho e compara travessia do Canal da Mancha com feito de 2021: “Mesmo peso do ouro olímpico”
Imagine nadar por oito horas, 27 minutos e 12 segundos de forma ininterrupta. Agora, atravessar um espaço de 43km dentro da área. Pode parecer loucura, mas foi o feito de Ana Marcela Cunha em 22 de julho, quando atravessou o Canal da Mancha, um percurso que liga as cidades de Dover, na Inglaterra, e Calais, na França.
A campeã olímpica da maratona aquática (10 km) em Tóquio e dona de 17 medalhas em mundiais, sete delas de ouro, no auge dos seus 34 anos, revelou que realizou um sonho.
— O nascer da maratona aquática tem a ver com o Canal da Mancha. É a história do meu esporte, óbvio que a medalha olímpica é o ponto auge do profissional, mas é o que eu tenho falado. Eu acho que, para mim, hoje, o Canal da Mancha tem o mesmo peso do ouro olímpico. É um sonho que eu realizei, de certa forma, e eu estou muito feliz por ter vencido esse desafio, por ter me preparado para isso — disse em entrevista exclusiva à Zero Hora.
Questionada sobre o que se passa na cabeça de quem nada por mais de oito horas, Ana deu a receita do sucesso.
— É um pouco diferente, né? Mas é justamente manter a cabeça vazia, é esse o ponto. É não pensar em muitas coisas, é não trazer pensamentos externos, não trazer problemas. Você está em um flow, você está ali vivendo aquele momento, braçada após braçada. Eu não estava preocupada nem com o tempo, nem quanto eu ia nadar, eu só queria completar. Eu estava pronta para nadar 12, 15 horas se fosse preciso.
O feito vem quase dois anos depois da disputa da última Olimpíada. Ainda às margens do Rio Sena, após ficar na quarta colocação, Ana não descartou a possibilidade de se aposentar das competições ainda em 2024, algo que foi rechaçado no ano seguinte.
— Eu acho que a Ana de Paris era uma Ana um pouco mais sufocada. Por todo o processo que foi pós Tóquio até chegar em Paris. Tive momentos muito difíceis. Eu cheguei no momento que pensei em parar de nadar, no meu esgotamento total, mental e físico. Acho que eu precisava até, pós-Paris, desse tempo de colocar o Canal da Mancha nesse momento que foi agora, 2026, pensando em tentar chegar até Los Angeles 2028. Então, acho que foi o momento certo — ressaltou.
Preparação
Ana Marcela Cunha treinou no CT do Time Brasil, no Rio, e contou com o apoio da equipe multidisciplinar do Comitê para chegar à Inglaterra nas melhores condições físicas e mentais.
Em outra parte do treinamento, ela nadou por quase 12 horas, na Represa Billings, em São Paulo, em uma água com temperatura próxima às condições que seriam encontradas no Canal da Mancha. Na Europa, ela trabalhou na cidade inglesa de Folkestone.
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