AD1199: Os Guineenses apoiam a permanência das raparigas grávidas na escola, a educação sexual e a autonomia das mulheres nas decisões sobre o casamento
Na Guiné-Bissau, a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos (SDSR) representam uma componente essencial dos direitos humanos, da igualdade de género e do desenvolvimento sustentável. O país dispõe de um quadro jurídico que visa garantir os direitos sexuais e reprodutivos, incluindo a sua Lei de Saúde Reprodutiva e Planejamento Familiar, bem como leis contra a mutilação genital feminina e a violência doméstica. Nesse sentido, o país também se orienta por diversos instrumentos internacionais, incluindo a Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade, a diretriz da Organização Mundial da Saúde sobre SDSR para mulheres que vivem com HIV/AIDS, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e o Protocolo de Maputo.
Os SDSR abrangem o acesso ao planeamento familiar, aos cuidados maternos e neonatais, à educação sexual abrangente, à prevenção das infeções sexualmente transmissíveis e à proteção contra práticas nocivas e violência baseada no género. Em parceria com organizações internacionais, o país tem implementado iniciativas destinadas a melhorar o acesso a estes serviços, com especial enfoque nos jovens e adolescentes (UNFPA, 2024). Neste contexto, destaca-se a elaboração da Política de Educação Sexual Compreensiva, incluindo o respetivo Plano Estratégico, Plano de Ação e Plano de Advocacia, desenvolvidos pelo Instituto Guineense de Pesquisa Aplicada para o Desenvolvimento (IGPAD), com apoio da Plan International, com o objetivo de reforçar o acesso à informação, promover a educação sexual abrangente e fortalecer a proteção dos direitos sexuais e reprodutivos no país.
Porém, apesar destes esforços, persistem desafios significativos. A Guiné-Bissau regista uma das mais elevadas taxas de mortalidade materna da África Ocidental e Central (725 mortes por 100.000 nados-vivos) e uma taxa de mortalidade neonatal de 35 por 1.000 nados-vivos (UNICEF, 2024). Além disso, mais de um quarto (27%) das mulheres entre os 20 e os 24 anos teve pelo menos um filho antes dos 18 anos (Ministério da Economia e Finanças, Direção Geral do Plano, & Instituto Nacional de Estatística, 2020). O casamento precoce e forçado, a mutilação genital feminina e a violência baseada no género continuam a representar obstáculos importantes para a saúde, a educação e a autonomia das mulheres e raparigas (Liga Guineense dos Direitos Humanos, 2026; UNICEF, 2025).
Neste contexto, o módulo especial da 10.ª Ronda do Afrobarometer sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos oferece uma oportunidade para compreender as perceções dos cidadãos guineenses sobre a autonomia das mulheres, o acesso à educação sexual, o planeamento familiar e as normas sociais que influenciam o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos no país. Os resultados do inquérito mostram que a maioria dos Guineenses
apoia a autonomia das mulheres nas decisões sobre o casamento, a continuidade dos estudos para raparigas que engravidem ou tenham filhos e o ensino da educação sexual nas escolas. Contudo, as opiniões dividem-se quanto à disponibilização de métodos contracetivos independentemente da idade ou do estado civil, bem como quanto à autonomia das mulheres nas decisões sobre a maternidade.
Mais de metade dos Guineenses considera o aborto justificável quando a vida ou a saúde da mulher está em risco. Porém, uma proporção menor considera-o justificável em casos de violação ou incesto, quando a mulher enfrenta dificuldades económicas ou quando a gravidez é indesejada por qualquer motivo.
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