11 de set de 2026 às 11:49
Centenas de pescadores uniram-se ao navio-escola Simón Bolívar no mar da ilha de Margarita, Venezuela, para prestar homenagem a Nossa Senhora do Vale numa colorida procissão náutica realizada todos os anos.
Nossa Senhora do Vale é padroeira do leste da Venezuela, dos pescadores e da Marinha da Venezuela. Ela é uma das devoções marianas mais queridas e populares do país.
Todo dia 8 de setembro, milhares de peregrinos chegam de várias partes do país ao Vale do Espírito Santo para agradecer à Mãe de Deus pelas graças e favores recebidos.
O dia 8 de setembro é também o dia de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela.
Na diocese de Guanare, milhares também se reuniram para venerar Nossa Senhora em sua festa e para inaugurar o Ano Jubilar de Coromoto. Este ano, ambas as celebrações foram marcadas por sobriedade e austeridade, em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela em junho.
“Quem não tem fé não é um bom pescador”
A procissão partiu da praia Valdés, na cidade de Porlamar, com o navio-escola Simón Bolívar à frente. Em pouco tempo, centenas de peñeros — nome dado na Venezuela a barcos de pesca artesanal — coloriram as águas da baía de Pampatar.
Cerca de 480 barcos participaram este ano. A atividade consiste em transportar a imagem da padroeira numa viagem marítima até uma rocha conhecida como El Farallón, onde duas imagens de Nossa Senhora estão submersas.
“Nossa Senhora do Vale é importante para todos nós pescadores, porque ela é a principal protetora do mar que nos acompanha todos os dias quando saímos para o mar. Sempre imploramos a ela por pesca abundante e para que voltemos para casa em segurança. Ela é nossa principal protetora”, disse um dos pescadores, Freddy Marcano, à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN.
Em Margarita, a pesca é um negócio de família. Todos participam, dos mais velhos aos mais novos. Marcano falou sobre a ligação entre o árduo trabalho dos primeiros apóstolos e a perspectiva sobrenatural com a qual os fiéis devem encarar a própria vida.
“Essas duas coisas andam juntas, porque quem não tem fé não é um bom pescador. Para ser pescador, é preciso ter fé, porque ir para o mar é uma questão de sorte; nada é garantido. É preciso se ancorar na fé e em nossos santos padroeiros, nossos santos protetores”, disse ele.
A procissão é uma oportunidade para agradecer a Nossa Senhora por suas bênçãos, sua intercessão e por ser um caminho seguro para Jesus Cristo. Em 1981, o papa são João Paulo II declarou Nossa Senhora do Vale padroeira da heroica Marinha da Venezuela.
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A atividade teve origem em 1998 em Pampatar, por iniciativa da devota Carmen Natera e sua família, inspiradas pela fé dos velejadores que navegam contra o vento.
Nossa Senhora do Vale é “a coisa mais preciosa” da ilha de Margarita
Nossa Senhora do Vale está profundamente enraizada nos corações dos pescadores da ilha de Margarita. Ela está entrelaçada na alma de um povo que a honra com humildade e com os frutos do seu árduo trabalho, que, embora possa ser difícil, é também uma oportunidade para crescer em graça e santidade.
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Outro pescador e pai do primeiro menino a quem deu nome, Freddy Marcano, falou sobre a importância dessas tradições e destacou o valor da devoção a Nossa Senhora do Vale. Em declarações à ACI Prensa, fez um apelo especial aos jovens:
“Já virou tradição, nós a criamos e vamos continuar fazendo isso até a hora da morte, que é certa para todos nós. É a coisa mais preciosa que temos aqui na ilha de Margarita”, disse ele.
“Esse senhor está pedindo a esses jovens que deixem para trás os maus hábitos e se concentrem no que é melhor, que é o trabalho, que é a melhor coisa que se pode ver na juventude”, disse.
Um verdadeiro margaritano é sempre um grande devoto de Nossa Senhora do Vale e a carrega no coração a cada instante do dia. Ao acordar e ao deitar-se, ao partir para o trabalho e ao retornar ao porto seguro. Isso é confirmado por Jennifer del Valle, filha do senhor Marcano:
“Bem, para nós, Nossa Senhora sempre significou praticamente tudo. Nosso dia a dia é: Que a Virgem Maria me proteja, Com Deus e a Virgem Maria; é o nosso cotidiano. Significa tradição, significa fé, significa muitas coisas para nós”.
Um “presente de amor” para as vítimas dos terremotos
Também no dia 8 de setembro, na basílica de Nossa Senhora do Vale, o bispo de Margarita, Fernando Castro, encorajou os fiéis a oferecerem “um presente de amor” — ou seja, ajuda solidária — àqueles que foram afetados pelos terremotos de 24 de junho.
“Agora é quando precisamos ainda mais de apoio. Depois do choque inicial e devastador, estamos agora na fase do dia-a-dia, enfrentando a dura realidade passo a passo”, disse o bispo venezuelano em sua homilia.
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