Adotar um estilo de vida ativo, com alimentação equilibrada, controle do peso e prática regular de exercícios, é fundamental para ajudar a preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida de quem convive com a artrose
O avanço da artrose, doença degenerativa que compromete as articulações, tem preocupado especialistas em todo o mundo. Estimativas do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), da Universidade de Washington, apontam que cerca de 1 bilhão de pessoas poderão conviver com a doença até 2050. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 15 milhões de pessoas já receberam o diagnóstico, condição que figura entre as causas frequentes de dor crônica, limitação funcional e afastamento das atividades profissionais.
O médico Humberto Arcoverde, especialista em dor e com título em Anestesiologia e Medicina Intervencionista da Dor, explica que a artrose ocorre quando há desgaste progressivo da cartilagem. “A cartilagem funciona como um amortecedor natural das articulações. Quando ela se desgasta, os ossos passam a sofrer maior atrito, desencadeando dor, inflamação e perda de mobilidade. É uma estrutura com capacidade limitada de regeneração, o que favorece a progressão da doença”, afirma.
Médico Humberto Arcoverde – Foto: Maurício Barreto
O médico destaca que a artrose e a condropatia são condições diferentes. “Na condropatia, a cartilagem ainda existe, mas está desgastada. Na artrose,o desgaste se dá de forma mais intensa, o que provoca atrito entre os ossos”, explica o especialista. As articulações mais frequentemente acometidas são justamente aquelas submetidas a maior carga ao longo da vida, como joelhos, quadris, pés e coluna vertebral.
Por que atletas também desenvolvem artrose?
Embora muitas pessoas associam a doença ao envelhecimento e ao sedentarismo, atletas e praticantes de atividades físicas de alto impacto também podem desenvolver artrose precocemente. O médico explica que entre os fatores que aceleram o desgaste articular estão impactos repetitivos; lesões antigas maltratadas; sobrecarga mecânica constante; retorno precoce ao esporte após lesões.
Sinais que merecem atenção
A artrose pode se manifestar de diferentes formas e, em alguns casos, permanecer silenciosa durante anos. “Nem todos os pacientes apresentam sintomas nas fases iniciais. Em algumas situações, o diagnóstico é feito a partir de exames de imagem que mostram alterações compatíveis com a doença, mesmo antes do surgimento da dor”, explica Humberto Arcoverde.
Os principais sintomas incluem:
Dor articular;
Limitação ou dificuldade de movimentação;
Estalos nas articulações;
Inchaço;
Deformidades na região afetada.
Fatores de risco
A artrose possui origem multifatorial e pode estar associada a fatores mecânicos, genéticos, hormonais, metabólicos e ósseos.
Idade acima de 50 anos;
Sexo feminino;
Obesidade;
Sedentarismo;
Atividades profissionais que sobrecarregam as articulações;
Esportes de alto impacto;
Traumas articulares prévios;
Deformidades ósseas;
Doenças articulares, como gota e artrite reumatoide;
Histórico familiar;
Diabetes mellitus.
Tratamento vai além do controle da dor
O tratamento da artrose envolve uma combinação de estratégias voltadas para redução da dor, preservação da mobilidade e melhora da qualidade de vida. Exercícios físicos, fisioterapia e mudanças de hábitos fazem parte da abordagem terapêutica.
“O objetivo é devolver independência, funcionalidade e qualidade de vida ao paciente, permitindo que ele continue ativo e mantenha sua rotina”, destaca o especialista. Entre as opções utilizadas atualmente para o manejo da dor, o especialista destaca:
Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Obtido a partir do sangue do próprio paciente, o PRP concentra substâncias envolvidas nos processos de reparação tecidual. Tem sido utilizado em alguns casos de artrose por seu potencial anti-inflamatório e pelos resultados observados na melhora da função articular e na redução da dor.
Viscossuplementação: Consiste na aplicação de ácido hialurônico dentro da articulação. O procedimento ajuda a melhorar a lubrificação articular, protege a cartilagem e pode proporcionar alívio dos sintomas quando medidas convencionais não apresentam resultados satisfatórios.
BMA (Aspirado de Medula Óssea): Terapia celular que utiliza células do próprio paciente com potencial para modular processos inflamatórios e contribuir para a recuperação dos tecidos. A indicação depende da idade, do grau de desgaste e das características clínicas de cada caso.
Bloqueios analgésicos: Procedimentos que interrompem temporariamente a transmissão do sinal doloroso em nervos específicos, sendo utilizados principalmente em casos de artrose da coluna e das articulações facetárias.
Infiltrações: Aplicação de medicamentos diretamente na região afetada, permitindo ação localizada e rápida sobre o processo inflamatório.
Radiofrequência: Técnica minimamente invasiva que utiliza calor controlado para interromper a transmissão dos sinais de dor crônica provenientes das articulações.
Hábitos saudáveis ajudam a prevenir e tratar
Além dos recursos terapêuticos disponíveis, o médico Humberto Arcoverde reforça que mudanças no estilo de vida desempenham papel fundamental tanto na prevenção quanto no controle da doença. “É preciso olhar para a saúde integral do paciente. A prática regular de atividade física é uma das principais aliadas no tratamento da artrose. O mais importante é que os exercícios sejam adequados para cada pessoa e realizados com orientação profissional. Quando associamos controle da dor, movimento, alimentação equilibrada e acompanhamento médico, conseguimos resultados muito mais efetivos e duradouros”, conclui o médico Humberto Arcoverde, especialista em dor e com título em Anestesiologia e Medicina Intervencionista da Dor.
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