Casal cria filha de 4 anos em um estilo de vida fora do convencional: “As crianças só precisam de liberdade para brincar” | Fique por dentro
Aos 4 anos, Willow passa os dias explorando uma propriedade nas montanhas da Califórnia, nos Estados Unidos, onde vive com os pais, Andi Vercellino e William Mapes. Entre a horta, os animais, as plantas e as brincadeiras que inventa com objetos encontrados pelo caminho, a menina cresceu em uma rotina diferente da convencional.
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O casal comprou o terreno de cerca de 16 hectares em 2022, quando já morava e trabalhava na região. A decisão veio depois de um período em que os dois passaram a questionar a rotina que levavam, especialmente o tempo dedicado ao trabalho e os custos da creche. A ideia de construir uma vida mais independente naquele espaço foi ganhando força até se transformar no projeto da família.
“À medida que nossa frustração com o sistema aumentou e nosso conhecimento e amor pela Terra continuaram a crescer, foi uma progressão natural seguir em direção a uma vida fora da rede”, contou Andi à revista PEOPLE.
Desde então, Andi e William vêm preparando o terreno e construindo a própria casa. Enquanto a obra não termina, os três vivem no que chamam de “deck de dois quartos”. O projeto é feito aos poucos, com materiais encontrados na propriedade e ajuda dos vizinhos, que também compartilham conhecimentos e recursos com a família.
Uma infância com espaço para brincar
A maior parte da rotina de Willow acontece ao ar livre. A menina também acompanha os pais em algumas tarefas, embora não tenha grandes responsabilidades.
Regar a horta, por exemplo, pode render reclamações, mas, quando chega ao jardim, Willow costuma se interessar por outras coisas. A mãe conta que ela gosta de procurar joaninhas e construir pequenas casas para os insetos.
Os pais também encontraram maneiras de transformar algumas tarefas em brincadeiras. Quando precisam percorrer a propriedade para verificar a tubulação de água, William criou uma brincadeira chamada “floresta de pirulitos”, com um mapa e doces escondidos para a filha encontrar pelo caminho.
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“As crianças não precisam de brinquedos, elas só precisam de liberdade e permissão para brincar”, afirmou Andi.
A mãe também precisou rever a própria reação diante de insetos e situações que antes desconhecia. Em vez de tentar evitar tudo o que pudesse parecer assustador, passou a permitir que Willow conhecesse o ambiente dentro dos limites de segurança definidos pela família.
“Eu fui muito intencional em me conter diante do impulso de superprotegê-la apenas por uma reação instintiva e, em troca, ela acabou me mostrando como a maior parte da natureza é inofensiva e encantadora”, contou a mãe.
A família também vai à cidade
Apesar de morar em uma área afastada, Willow não vive isolada. A cidade fica a cerca de 30 minutos de carro da propriedade e faz parte da rotina da família. Depois das tarefas do dia, os três costumam ir até lá para frequentar a biblioteca e o centro comunitário, onde encontram outras pessoas e passam um tempo fora de casa.
Os vizinhos também têm participação importante na experiência. Além de ajudarem na construção da casa, compartilham conhecimentos e recursos com o casal. “Tem sido um processo muito bonito”, disse Andi.
Os primeiros anos em casa
Até agora, Willow ficou em casa com os pais. Com a chegada dos 5 anos e o início da vida escolar, Andi olha para esse período com a sensação de que conseguiu aproveitar o tempo que desejava ao lado da filha.
“Nós a mantivemos em casa conosco até este momento, o que foi muito importante e especial para nós. Você só tem os primeiros cinco anos com seu filho antes que ele seja obrigado a frequentar algum tipo de escola pelo resto da vida, e eu prometi aproveitar esses cinco anos, mesmo nos dias difíceis, e sinto que realmente aproveitei”, afirmou Andi.
Com o passar dos anos, os pais perceberam que Willow ficou mais observadora e confiante. “Ela também me deixou mais aberta ao mundo; tudo ficou mais interessante”, disse Andi.
A escolha, porém, não eliminou as dificuldades da rotina com uma criança pequena. A distância de 30 minutos até a cidade é uma das questões práticas, enquanto escovar os dentes e os cabelos e lidar com pedidos por doces continuam fazendo parte do cotidiano.
Por outro lado, alguns aspectos ficaram mais simples. Como a família não precisa sair de casa sempre em determinado horário, há menos pressão para cumprir uma agenda rígida e mais espaço para que os três sigam o próprio ritmo no dia a dia.
“Não estamos tentando acompanhar os outros; estamos apenas vivendo nossas vidas, levando nosso tempo e indo devagar o suficiente para perceber as joaninhas no jardim”, explicou Andi.
O casal não apresenta a experiência como um modelo de criação que deveria ser seguido por outras famílias. A decisão está ligada ao tipo de rotina que os dois queriam construir e à forma como desejavam passar os primeiros anos ao lado da filha.
“Encontre maneiras de construir a vida que você quer viver e pense em como envolver seu filho. Para nós, é criar uma floresta de pirulitos para percorrer nossa linha de água toda semana. Escolheríamos esse caminho várias vezes”, aconselhou a mãe.
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