Venezuela – Uma desgraça nunca vem só!

Venezuela, país com todas as condições para figurar na lista de países desenvolvidos, acabou de sofrer mais um abanão nas suas já debilitadas condições.

Sucessivos governos, por vários motivos, foram destruindo um país e arrastando uma sociedade para níveis de pobreza que se repercutem em debilidades de vária ordem.

Se esta conjuntura não bastasse, eis que surgem novos contratempos. Dois sismos seguidos, espaçados por poucos segundos, puseram a nu toda a fragilidade dos seus edifícios, mas também das suas infraestruturas mais básicas, provocando largas dezenas de milhares de mortos ainda por contabilizar. 

A inexistência de serviços de socorro no resgate e salvamento em estruturas colapsadas, o apoio aos sobreviventes a necessitarem de cuidados de saúde, os apoios na alimentação e no alojamento, tudo falhou. A situação vivida, impede um desempenho mais eficiente das equipas que de todo o mundo se disponibilizaram a ajudar. Um destaque para as equipas de médicos Cubanos que, não obstante as periclitantes relações diplomáticas e comerciais entre os dois países, foram dos primeiros a chegar e a ajudar. Coincidências!

O colapso dos hospitais, danos nas estradas, aeroportos, redes de água e de saneamento, tudo está afectado. Mais dramático, são os milhares de mortos que se encontram sepultados numa amálgama de escombros, provocando graves epidemias.

Na Venezuela, não é novidade acontecimentos deste tipo. Em 1997, situação idêntica afectou gravemente o País. A sua localização na fronteira entre duas placas tectónicas, para além da existência de falhas Geológicas activas, torna a região mais propícia a estes fenómenos. A situação agora ocorrida, foi potencialmente devastadora devido à conjugação de vários factores: a sua intensidade 7,2 e 7,5, com epicentro a pouca profundidade fazendo com que a energia chegue com mais intensidade à superfície, poucos segundos de diferença entre os dois sismos, a localização em solos sedimentares junto à costa potenciaram e amplificaram a destruição. A debilidade estrutural dos edifícios, foi determinante.

Nas imagens que as televisões nos fazem chegar, é possível observar que o colapso das estruturas aconteceu ao nível da ligação da cabeça dos pilares com a estrutura que suportavam, nomeadamente vigas. É também visível que muitas das lajes foram pouco afectadas, o que confirma uma estrutura de betão armado descuidada ao nível das uniões estruturais. A ligação pilar-viga, é um dos pontos críticos. O pilar não serve só para suporte das cargas verticais que sobre ele descarregam. Tem que servir também para, com alguma resistência e plasticidade, suportar cargas horizontais que movimentos sísmicos lhe transmitem, formando um sistema estrutural resistente contínuo em que as fundações são parte importante.

Em resumo, uma estrutura anti-sísmica deve ser resistente e ao mesmo tempo flexível na sua geometria de modo a dispersar a energia sem colapsar. As fundações e sobretudo o tipo de solo tantas vezes ignorado, exigem especial atenção. Solos sedimentares e/ou rochosos, merecem atenção especial. No Japão, país onde estas ocorrências sísmicas são frequentes, as fundações, são a primeira medida devidamente cuidada e acautelada, sendo o recurso a almofadas em borracha, por vezes, a solução adoptada.

Portugal e, em particular Lisboa e Vale do Tejo, face à sua localização em zona de risco moderado ou elevado, na proximidade das placas Eurasiática e Africana, são exigidos cuidados especiais no cálculo das estruturas, mas também na fiscalização na fase de construção.

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