2ª Bienal de Arte e Cultura de Bissau regressa em 2027 com o tema “Djidiundadi

A Fundação MoAC Biss lançou oficialmente, a 11 de maio de 2026, nos Jardins da Tiniguena em Bissau, a segunda edição da Bienal de Arte e Cultura de Bissau, prevista para decorrer entre 1 e 31 de maio de 2027. Criada com o objetivo de promover a arte contemporânea guineense e reforçar o posicionamento da Guiné-Bissau no panorama cultural internacional, a bienal afirma-se, após a edição inaugural de 2025, como a principal plataforma do país para o debate sobre políticas culturais e para a criação de oportunidades de formação e mobilidade de artistas

Sob o lema Djidiundadi – Intemporalidade e Utopias, a edição propõe uma reflexão sobre o papel do artista enquanto guardião da memória e agente de transformação social, partindo da figura do Djidiu, termo utilizado na Guiné-Bissau para o griot, guardião da memória coletiva e da transmissão oral intergeracional nas civilizações Mandinga, Fula e Bambara da África Ocidental. A bienal propõe abordar esta herança como princípio intemporal com expressão na contemporaneidade, interrogando de que modo os legados culturais africanos são hoje produzidos, difundidos e legitimados no continente e nas suas diásporas.

Tal como na edição inaugural, a coordenação geral fica a cargo de Miguel de Barros. As cinco curadorias estão distribuídas por Karyna Gomes (Música), Welket Bungué (Artes Performativas e Imagens em Movimento), Nú Barreto (Artes Plásticas e Visuais), Zaida Pereira (Literatura) e António Spencer Embaló (Conferências e Políticas Públicas). A comissão de honra reúne vinte personalidades de vários países, entre as quais Nino Galissa (Guiné-Bissau), Mário Lúcio Sousa (Cabo Verde), Ondjaki (Angola) e o artista plástico Vhils (Portugal).

A programação prevê concertos de músicos tradicionais e contemporâneos, com destaque para instrumentos como o korá, o balafon, o tonkoron e o simbe, a par de espetáculos de teatro, sessões de cinema, lançamentos de livros, conferências, djumbais ku arti e residências artísticas. As atividades decorrem em Bissau, com extensões a Bafatá, Cacheu e Bolama. A entrada é gratuita.

Será lançado um edital público para chamada de artistas, autores, criadores e produtores culturais interessados em integrar a programação. Os selecionados por esta via asseguram as próprias passagens; a organização garante cinco dias de estadia, com alojamento, alimentação e transporte. A quota mínima de participação de artistas nacionais é de 40%, com equilíbrio de género. Os curadores têm até 30 de agosto de 2026 para concluir a seleção.

A primeira edição, realizada em 2025, atraiu mais de 1500 pessoas e cerca de 50 atividades – sete concertos, três sessões de cinema, três espetáculos de teatro, cinco lançamentos de livros, cinco conferências e sete djumbais, entre outras -, com presença de personalidades de 13 nacionalidades. Do evento resultou um Manifesto entregue às autoridades com metas estruturadas para o setor da cultura. A RDP-África volta a ser a rádio oficial do evento.

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