Governo da Bahia recebe cônsul-geral do Haiti e discute cooperação em educação, cultura e desenvolvimento econômico
Em Salvador, na sexta-feira (08/05/2026), o Governo da Bahia recebeu, na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), o cônsul-geral do Haiti na capital baiana, Henri Claude Voltaire, para uma reunião voltada à ampliação das relações institucionais entre o estado e o país caribenho. O encontro reuniu representantes das áreas de desenvolvimento econômico, educação, turismo, cultura e cooperação internacional, com o objetivo de discutir oportunidades de parceria em ensino superior, economia criativa, desenvolvimento sustentável, atração de investimentos e intercâmbio cultural.
Bahia e Haiti discutem agenda de cooperação internacional
A reunião marcou uma iniciativa de aproximação entre o Governo da Bahia e a representação diplomática haitiana em Salvador. O diálogo buscou identificar áreas de interesse comum e abrir caminho para a construção de uma agenda de cooperação com impacto institucional, social, econômico e cultural.
O secretário de Desenvolvimento Econômico em exercício, Aécio Moreira, afirmou que a aproximação entre Bahia e Haiti pode criar condições para parcerias estratégicas em diferentes setores. Segundo ele, o estado dispõe de experiências que podem contribuir para agendas relacionadas à agricultura familiar, economia criativa, energia, turismo e educação.
“Essa aproximação abre uma grande avenida para construirmos agendas estratégicas de integração. A Bahia tem muito a contribuir em áreas como agricultura familiar, economia criativa, energia, turismo e educação. Queremos avançar em iniciativas que promovam desenvolvimento, geração de oportunidades e intercâmbio cultural entre os nossos povos”, declarou Aécio Moreira.
Desenvolvimento sustentável foi tratado como eixo central
Durante o encontro, o cônsul-geral do Haiti, Henri Claude Voltaire, destacou a importância da cooperação internacional como instrumento para fortalecer políticas de desenvolvimento sustentável. Ele afirmou que o Haiti vê na Bahia e no Brasil referências relevantes em áreas como agricultura, educação e desenvolvimento econômico.
“O Haiti tem muito a aprender com a Bahia e com o Brasil em áreas como agricultura, educação e desenvolvimento econômico. Vejo grandes possibilidades de colaboração em projetos que pensem não apenas no presente, mas também nas futuras gerações”, disse o cônsul-geral.
A fala de Voltaire indicou que a cooperação pretendida não se limita a ações pontuais. A perspectiva apresentada envolve a formulação de projetos com efeitos de médio e longo prazo, especialmente em áreas capazes de combinar formação técnica, geração de oportunidades e fortalecimento das relações institucionais entre Bahia e Haiti.
Cultura e economia criativa entram na pauta bilateral
A cultura foi apresentada como um dos principais campos de aproximação entre baianos e haitianos. Henri Claude Voltaire defendeu que as relações culturais podem contribuir não apenas para o intercâmbio simbólico entre os povos, mas também para a geração de oportunidades econômicas.
“Cultura também é economia, e fortalecer esses laços entre Haiti e Bahia pode gerar oportunidades importantes para os dois povos”, afirmou o representante haitiano.
A abordagem aproxima a pauta cultural de setores como turismo, economia criativa, patrimônio e serviços. No caso da Bahia, a presença de instituições ligadas à cultura e ao patrimônio reforça a possibilidade de construção de projetos voltados à preservação, promoção cultural e integração de cadeias produtivas vinculadas à identidade histórica e artística.
Educação superior e pesquisa são apontadas como áreas prioritárias
Na área da educação, os participantes discutiram possibilidades de cooperação acadêmica entre instituições baianas e haitianas. A pauta incluiu intercâmbios, pesquisas conjuntas, qualificação profissional e produção de conhecimento.
Entre as instituições citadas estão a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), além de outras instituições de ensino superior que podem ser incorporadas a futuras iniciativas.
A cooperação educacional pode envolver diferentes frentes, como mobilidade acadêmica, formação de docentes, capacitação técnica, projetos de extensão, estudos comparados e parcerias em áreas estratégicas para o desenvolvimento social e econômico. O tema ganha relevância por envolver instituições públicas estaduais com presença em diferentes regiões da Bahia.
Possíveis áreas de cooperação discutidas
Entre os principais campos mencionados na reunião, destacam-se:
- Educação superior, com intercâmbios e pesquisas conjuntas;
- Agricultura familiar, com troca de experiências produtivas;
- Economia criativa, associada à cultura e à geração de renda;
- Turismo, com potencial de aproximação cultural e institucional;
- Desenvolvimento sustentável, como eixo transversal das parcerias;
- Atração de investimentos, com foco em oportunidades econômicas;
- Patrimônio cultural, articulado à preservação e promoção de identidades históricas.
Reunião reuniu representantes de diferentes áreas do Governo da Bahia
Além de Henri Claude Voltaire, participaram da reunião Lorah Stecy Delatout, vice-cônsul do Haiti, e Elson Charles, cônsul do Haiti. Pelo Governo da Bahia, estiveram presentes gestores e representantes de secretarias e órgãos ligados à comunicação, educação, turismo, cultura, comércio exterior e desenvolvimento econômico.
Também participaram Luciano Suedde, chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação; Luciano Giudice, superintendente de Atração de Investimentos e Fomento ao Desenvolvimento Econômico da SDE; Helaine Souza, superintendente de Políticas para a Educação Básica da Secretaria da Educação da Bahia; Luiz Rabelo Neto, superintendente de Promoção e Serviços Turísticos da Secretaria de Turismo; Danilo Ramos, gerente de Patrimônio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac); Natalia Oliveira, coordenadora de Cooperação Internacional do Governo da Bahia; e Paula Leitão, coordenadora de Comércio Exterior e Oportunidades de Negócios da SDE.
A composição da reunião indica o caráter intersetorial da pauta. A presença de representantes de diferentes áreas sugere que as possíveis parcerias poderão envolver desde ações acadêmicas até projetos de promoção turística, desenvolvimento econômico, preservação cultural e prospecção de oportunidades de negócios.
Aproximação institucional pode abrir novas frentes de parceria
O encontro não anunciou acordos formalizados, mas sinalizou disposição institucional para a construção de uma agenda bilateral entre Bahia e Haiti. A partir da reunião, o próximo passo tende a envolver a identificação de projetos específicos, definição de prioridades e articulação entre órgãos públicos, universidades e instituições haitianas.
A Bahia possui histórico de atuação em áreas diretamente relacionadas aos temas tratados, como educação pública estadual, cultura, turismo, economia criativa e agricultura familiar. Para o Haiti, país caribenho com desafios estruturais e necessidade permanente de fortalecimento institucional, a cooperação pode representar uma via de intercâmbio técnico e cultural.
A iniciativa também reforça a importância de relações internacionais descentralizadas, nas quais governos estaduais e representações consulares buscam construir agendas próprias de cooperação. Esse modelo permite que temas locais e regionais sejam tratados de forma mais direta, com maior proximidade entre as instituições envolvidas.
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