Wall Street fecha mista com realização de lucros, pressão em tecnologia e dados fracos de emprego nos EUA

A bolsa de valores norte-americana encerrou a sessão de quarta-feira (05/08) com desempenho misto, após uma abertura positiva perder força ao longo do pregão. O índice Dow Jones (DOWI:DJI) conseguiu sustentar os ganhos e fechou em alta de 0,5%, aos 54.349,12 pontos, com avanço de 263,24 pontos, enquanto o S&P 500 (SPI:SP500) recuou 0,2%, aos 7.723,55 pontos, e o Nasdaq Composite (NASDAQI:COMPX) caiu 0,8%, aos 26.363,44 pontos. O movimento representou uma realização de lucros depois de uma sequência de quatro sessões consecutivas de ganhos que levou o Dow Jones (DOWI:DJI) e o S&P 500 (SPI:SP500) a renovarem máximas históricas. No mercado futuro, os contratos Dow Jones Futuro (CCOM:US30), S&P 500 Futuro (CCOM:US500) e Nasdaq Futuro (CCOM:US100) haviam indicado uma abertura mais firme, mas perderam impulso durante a sessão diante da pressão vendedora principalmente sobre ações ligadas à tecnologia e inteligência artificial.

O mercado de ações norte-americano foi influenciado nesta quarta-feira (05/08) por uma combinação de fatores econômicos e corporativos. O principal destaque veio do relatório de empregos privados da ADP, que mostrou criação de 44 mil vagas em julho, abaixo da expectativa dos economistas de 75 mil postos e também inferior ao dado revisado de junho, que apontou 95 mil novas vagas. O resultado trouxe novas discussões sobre o ritmo da economia norte-americana e o possível impacto sobre as próximas decisões do Federal Reserve (Fed). Ao mesmo tempo, os investidores acompanharam o cenário envolvendo os gastos elevados em inteligência artificial, após a SpaceX (NASDAQ:SPCX) divulgar seus primeiros resultados trimestrais como empresa aberta. Apesar da receita acima do esperado, o aumento dos gastos de capital pressionou as ações e aumentou o debate sobre os investimentos bilionários no setor. O ambiente externo também teve influência, com destaque para a recuperação dos mercados asiáticos, onde o índice Nikkei 225 avançou 3,7% e o Shanghai Composite subiu 1,5%, enquanto a Europa apresentou desempenho misto.

No mercado corporativo norte-americano, as ações ligadas à tecnologia e inteligência artificial concentraram boa parte da volatilidade da sessão. A SpaceX (NASDAQ:SPCX), empresa do setor aeroespacial e de tecnologia espacial, despencou 13,6% após apresentar resultados trimestrais com receita acima das expectativas, mas revelar aumento nos gastos de capital, levantando preocupações sobre a capacidade de retorno dos investimentos realizados. A Advanced Micro Devices (NASDAQ:AMD), fabricante de semicondutores e processadores utilizados em computadores, servidores e aplicações de inteligência artificial, caiu 7%, mesmo após divulgar resultados melhores do que o esperado para o segundo trimestre. Entre os destaques positivos, a Disney (NYSE:DIS), gigante do entretenimento dona de marcas como Disney, Pixar, Marvel e ESPN, avançou 3,7% após apresentar números trimestrais acima das projeções do mercado. A Amgen (NASDAQ:AMGN), empresa de biotecnologia focada em medicamentos inovadores, subiu 4,6%, enquanto a Nvidia (NASDAQ:NVDA), líder em chips para inteligência artificial e computação acelerada, avançou 3,4%, ajudando a limitar a pressão sobre o índice Dow Jones (DOWI:DJI). Nos setores, empresas de energia sofreram com a queda do petróleo, enquanto companhias de mineração de ouro ganharam força acompanhando a valorização do metal precioso.

O mercado de títulos públicos dos Estados Unidos apresentou pouca direção ao longo da sessão de quarta-feira (05/08), mas encerrou com leve valorização dos Treasuries. O rendimento do Treasury de dez anos, principal referência para o mercado de renda fixa norte-americano, recuou 1 ponto-base, para 4,617%, movimento que indica uma pequena procura por ativos considerados mais seguros. A curva de juros permaneceu influenciada pela leitura dos investidores sobre o relatório de empregos da ADP, que mostrou desaceleração na criação de vagas privadas e reforçou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) poderá avaliar com mais cautela os próximos passos da política monetária. Nos vencimentos mais longos, os investidores continuaram monitorando as pressões fiscais e os elevados investimentos corporativos em inteligência artificial, enquanto os títulos de médio e curto prazo reagiram principalmente às expectativas para os juros futuros. O mercado também acompanhou declarações e posicionamentos do governo norte-americano, incluindo as políticas econômicas de Donald Trump, que seguem sendo um fator de atenção para inflação, crescimento e trajetória dos juros.

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