Vendeu tudo por filho doente, brilhou no Mundial e vai recuperar camisola

A seleção do Paraguai já não está no Campeonato do Mundo de 2026, mas protagonizou uma das grandes surpresas da competição ao eliminar a super favorita Alemanha, com Orlando Gill a contribuir de forma decisiva para a derrota dos germânicos.

Mas se, por um lado, o guarda-redes teve motivos para sorrir nessa mesma partida, ao defender duas grandes penalidades da Alemanha e ajudar a qualificar o Paraguai para os oitavos de final, o mesmo não se pode dizer da vida pessoal. Antes de estar prestes a tornar-se um herói nacional, Gill era um pai recém-formado, a tentar ajudar a sua família.

Em dezembro de 2022, o filho de Orlando Gill, Lautaro, nasceu de forma prematura, após uma cesariana de emergência, e adoeceu gravemente. A situação financeira da família não era a melhor e Gill foi obrigado a vender toda a sua roupa para conseguir arrecadar dinheiro para pagar os dispendiosos custos do tratamento.

Entre os bens que Orlando Gill foi forçado a vender estava uma camisola que usou na Copa América Sub-20 em 2019, na sua primeira internacionalização pelos paraguaios.

“O Lauti nasceu e nós não tínhamos nada, e o Orlando vendeu o equipamento do clube em que jogava na altura só para cobrir as despesas. Ele vendeu tudo – vendeu a camisola da seleção sub-20 (nem sequer conseguiu guardá-la como recordação), vendeu o equipamento, os ténis… literalmente, vendeu TUDO!”, escreveu Melissa Avalos, mulher de Orlando Gill, numa publicação nas redes sociais.


E tudo mudou no Mundial

Cerca de um ano após o nascimento do filho, e depois de ter disputado apenas duas partidas como profissional, Orlando Gill deixou o San Lorenzo do Paraguai e rumou ao clube com o mesmo nome, mas na Argentina.

Após a pesada derrota para a seleção dos Estados Unidos da América na fase de grupos (1-4), Orlando Gill sofreu duras críticas. Ainda assim, foi crescendo de produção na prova e, como já referido, brilhou a alto nível diante da Alemanha. Gill defendeu o primeiro penálti na série de castigos máximos, mergulhando para a esquerda e afastando a bola que se dirigia para o fundo da baliza, e também defendeu mais um remate que ajudou a qualificar o Paraguai para a fase seguinte da prova, onde o Paraguai acabaria por perder.

Mas nem tudo está perdido. Fechada a participação no Mundial2026, o paraguaio ficou a saber que Pedro Suárez, amigo a quem Orlando Gill vendeu a camisola em troca de ajuda financeira para pagar as despesas hospitalares do seu recém-nascido, vai devolver-lhe este bem que o guardião guardou religiosamente.

“Ele estava a lidar com o problema do nascimento prematuro do seu filho. Depois, ocorreu a morte da sua amada mãe. Depois, o tio dele. Aconteceu tudo, uma coisa atrás da outra. Vou dar-lhe a camisola. Se ele quiser dar-me alguma coisa, vai dar, mas eu não me importo. Ele era meu amigo e eu ajudei-o da melhor forma que pude”, referiu Suárez, citado pela CNN.

“Fiquei irritado”, assumiu Orlando Gill, justificando o ato de atirar a bola contra as costas de Kylian Mbappé logo após o apito final na partida entre França e Paraguai, dos oitavos de final.

Notícias ao Minuto | 08:09 – 05/07/2026


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