Uruguai aposta em coordenação regional para consolidar hub logístico

O Uruguai busca fortalecer seu papel como hub logístico regional por meio de uma maior coordenação entre hidrovias, portos, ferrovias, rodovias e corredores de comércio transfronteiriço, afirmaram representantes do governo durante a conferência internacional Hidrovía 360, realizada em Colonia del Sacramento.

María Cecilia Otegui, diretora-geral para Assuntos de Fronteira, Limites e Marítimos do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, afirmou que o país deve construir sua projeção internacional com base em seus rios, áreas marítimas e regiões fronteiriças, sob o conceito de “Uruguai navegável”. Segundo ela, essa abordagem exige integrar infraestrutura, regulamentação, segurança, política ambiental e logística, reunindo governo, empresas, especialistas técnicos e universidades.

Otegui destacou que a posição geográfica do Uruguai lhe confere um papel natural na interseção entre a Hidrovia Paraguai–Paraná, o Rio Uruguai, o Rio da Prata e o Oceano Atlântico. Essa localização dá ao país o potencial de funcionar como elo entre a navegação fluvial regional e o transporte marítimo internacional.

Autoridades alertaram, no entanto, que a geografia, por si só, não será suficiente. Claudia Peris, subsecretária do Ministério dos Transportes e Obras Públicas do Uruguai, afirmou que as hidrovias precisam ser compreendidas como parte de um sistema multimodal de transporte, que também inclui a navegação marítima e os modais ferroviário e rodoviário.

A Hidrovia Paraguai–Paraná se estende por aproximadamente 3.442 quilômetros e conecta Bolívia, Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Trata-se de um corredor fundamental para o transporte de grãos, minérios, combustíveis e outras cargas que sustentam o comércio regional. Atualmente, o sistema movimenta cerca de 25 milhões de toneladas por ano, e as projeções indicam que esse volume poderá dobrar na próxima década.

O crescimento esperado cria oportunidades para o Uruguai, mas também amplia a necessidade de melhores infraestruturas, regras modernizadas e serviços mais eficientes. Como presidente pro tempore do Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai–Paraná, o Uruguai promove uma agenda voltada ao aumento da segurança e da eficiência da navegação, ao fortalecimento institucional e à produção de informações mais qualificadas para a tomada de decisões.

Um dos temas em análise é o Regulamento nº 7, que estabelece as dimensões máximas dos comboios que utilizam a hidrovia. O Uruguai coordena um grupo técnico que estuda a possibilidade de ampliar essas dimensões com base em simulações e critérios de segurança, com a participação de outros países e do setor privado.

Peris afirmou que o Uruguai também trabalha para fortalecer as instituições criadas pelo Acordo de Santa Cruz de la Sierra, com o objetivo de proporcionar maior continuidade, regularidade e flexibilidade operacional ao comitê da hidrovia. Mudanças propostas nas regras internas do órgão poderão ser analisadas em uma reunião prevista, preliminarmente, para novembro.

Para exportadores, companhias de navegação e operadores logísticos, a mensagem apresentada durante o Hidrovía 360 foi clara: o Uruguai quer se posicionar não como uma plataforma portuária isolada, mas como parte de um sistema logístico regional integrado.

Otegui argumentou que o Uruguai e os países vizinhos devem evitar tratar portos, corredores e nações como concorrentes em uma disputa na qual o ganho de um representa necessariamente a perda de outro. Segundo ela, as cargas regionais podem melhorar a conectividade, aumentar a frequência dos serviços, ampliar as opções de transporte e também reduzir os custos das exportações uruguaias.

Peris defendeu uma visão semelhante, afirmando que a hidrovia, o Rio da Prata, o Rio Uruguai, os canais de navegação e as vias de acesso aos portos formam um único sistema logístico. Para consolidar a ambição do Uruguai de se tornar um hub logístico, o país precisa de infraestrutura, serviços eficientes, regras previsíveis, segurança jurídica e maior coordenação entre os setores público e privado.

O debate também destacou a importância de rotas alternativas, incluindo a Hidrovia da Lagoa Mirim, à medida que o Uruguai procura ampliar suas opções de transporte e equilibrar oportunidades produtivas com responsabilidades ambientais.

Caso o Uruguai seja bem-sucedido, sua rede logística poderá desempenhar um papel mais relevante na conexão das áreas produtoras do interior da América do Sul com as rotas marítimas do Atlântico. Para o comércio regional, isso significaria custos menores, maior confiabilidade e uma integração mais forte entre os sistemas fluvial, portuário, ferroviário e rodoviário.

Fonte: Altamar News

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