Brasil e Paraguai discutem redução de custo de até

Comitiva da Abitrigo visitou as instalações da Algesa em Ciudad del Este, no Paraguai. Foto: Divulgação/Abitrigo

Representantes da indústria do trigo e autoridades brasileiras e paraguaias discutiram medidas para reduzir gargalos logísticos e burocráticos na fronteira entre os dois países. Um dos principais pontos levantados pelo setor é o chamado “custo fronteira”, que chega a quase US$ 20 por tonelada nas operações de travessia.

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O tema foi debatido durante o Giro Abitrigo – Paraguai, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que reuniu mais de 45 representantes de moinhos e de outros segmentos da cadeia produtiva.

Durante três dias, o grupo conheceu terminais logísticos, lavouras, cooperativas e áreas experimentais no Paraguai, além de participar de reuniões com representantes dos ministérios da Agricultura dos dois países, da Receita Federal e de agentes ligados ao comércio exterior.

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Segundo a Abitrigo, a simplificação dos procedimentos aduaneiros no porto seco da Algesa, no Paraguai, e no Terminal Multilog, no Brasil, poderia aumentar a competitividade das operações e estimular as compras brasileiras.

“Estamos falando de quase 20 dólares por tonelada em custos operacionais de travessia. Trata-se de um valor expressivo dentro da precificação do mercado internacional do trigo, e qualquer melhoria operacional trará um estímulo imediato ao comércio entre Paraguai e Brasil”, afirmou o superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio.

Paraná pode importar até 1,7 milhão de toneladas

A discussão ganha importância diante da expectativa de aumento da necessidade de importação de trigo pelo mercado brasileiro.

De acordo com estimativa apresentada pela indústria, o Paraná poderá precisar importar entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de toneladas do cereal no ciclo de 2027.

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O movimento é atribuído à redução da área destinada ao trigo no estado, com produtores migrando para culturas consideradas de maior valor agregado.

Nesse cenário, o Paraguai é apontado pelo setor como fornecedor estratégico pela proximidade geográfica com o Paraná e pela possibilidade de abastecer também mercados do Sudeste.

Paraguai quer ampliar área plantada

Do lado paraguaio, produtores e exportadores vêm investindo em tecnologia e melhoramento genético para ampliar a produção e atender às exigências dos moinhos brasileiros.

O presidente da Cámara Paraguaya de Exportadores y Comercializadores de Cereales y Oleaginosas, José Berea, afirmou que o país trabalha para voltar a alcançar 600 mil hectares cultivados com trigo.

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Além do volume disponível, a indústria brasileira destaca características do trigo paraguaio relacionadas à força de glúten, que permitem seu uso na composição de farinhas produzidas por moinhos brasileiros.

Durante a missão, os representantes conheceram lavouras na região de Santa Rita, a Cooperativa Colonias Unidas, em Obligado, e áreas experimentais onde são desenvolvidas novas variedades do cereal.

Integração entre os dois países

Para a Abitrigo, a aproximação entre moinhos brasileiros, produtores paraguaios e autoridades dos dois países pode resultar em ajustes operacionais capazes de facilitar o comércio bilateral.

A expectativa é que as discussões avancem para medidas destinadas a reduzir custos de transporte e fronteira e melhorar o fluxo de trigo para o mercado brasileiro.

Fonte: Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

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