Um tsunami vai atingir o Mediterrâneo. E Portugal também está em risco

A possibilidade de um tsunami atingir o Mediterrâneo nas próximas décadas não é uma hipótese remota. Segundo a UNESCO, existe uma probabilidade de 100% de ocorrer, nos próximos 30 a 50 anos, pelo menos um tsunami com ondas de um metro ou mais na região. Portugal tem de se preparar.

Apesar de Portugal não estar localizado no Mediterrâneo, faz parte da zona de risco do Atlântico Nordeste e dispõe de um sistema nacional de alerta devido à ameaça real de tsunamis.

O que significa uma probabilidade de 100%?

À primeira vista, a afirmação pode parecer alarmante, mas importa colocá-la em contexto. A UNESCO não está a dizer que um tsunami vai acontecer amanhã ou nos próximos meses.

O que refere é que, tendo em conta a atividade sísmica e vulcânica da região, bem como o histórico geológico, é praticamente certo que ocorra pelo menos um tsunami com uma altura mínima de um metro algures no Mediterrâneo durante as próximas três a cinco décadas.

Desde o início do século XX foram registados cerca de uma centena de tsunamis no Mediterrâneo e nas regiões adjacentes, representando aproximadamente 10% de todos os eventos conhecidos a nível mundial.

Portugal também está exposto

Embora o Mediterrâneo concentre uma grande parte do risco, Portugal integra o sistema de alerta de tsunamis do Atlântico Nordeste e Mediterrâneo (NEAMTWS), coordenado pela UNESCO.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) é um dos centros acreditados para emitir alertas de tsunami, juntamente com organismos de França, Itália, Grécia e Turquia.

O maior exemplo histórico continua a ser o terramoto de Lisboa de 1755, que gerou um tsunami devastador responsável por milhares de mortes em Portugal e noutras zonas do Atlântico. Aliás, este cenário continua a ser utilizado em exercícios internacionais de preparação e resposta, como aconteceu no exercício NEAMWave26.

O risco em Portugal é real, mas raro

Os especialistas do IPMA têm sublinhado que não é correto considerar Portugal um país de baixo risco para tsunamis. Embora estes fenómenos sejam raros, podem ocorrer na sequência de sismos de grande magnitude ao largo da costa portuguesa ou em zonas próximas do Atlântico Nordeste.

As regiões potencialmente mais vulneráveis incluem:

  • Algarve;
  • Costa sudoeste;
  • Litoral oeste, incluindo a região de Lisboa;
  • Zonas costeiras baixas e estuários.

O tempo disponível entre um sismo submarino e a chegada das primeiras ondas poderá ser reduzido, o que torna os sistemas de alerta e a preparação da população particularmente importantes.

Saber interpretar o alerta faz toda a diferença

As autoridades recordam que um tsunami não corresponde a uma única onda gigante. Normalmente manifesta-se através de várias ondas sucessivas, podendo a primeira nem sequer ser a mais intensa.

Outro sinal importante é o recuo invulgar do mar após um sismo sentido junto à costa. Sempre que isso acontece, a recomendação é abandonar imediatamente a zona costeira e dirigir-se para locais elevados, sem esperar por instruções adicionais.

Preparação é a melhor defesa

Apesar de a probabilidade de ocorrência ser elevada numa escala de décadas, isso não significa que exista um perigo iminente.

O objetivo da UNESCO é precisamente sensibilizar os países para reforçarem os sistemas de monitorização, alerta e proteção civil, reduzindo o impacto de um fenómeno natural que, embora raro, pode ter consequências devastadoras caso a população não esteja preparada.


Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.