Tecnologia desenvolvida no Piauí ajuda a identificar sinais de câncer e amplia acesso ao diagnóstico – Piauí
Uma tecnologia desenvolvida no Piauí pode abrir um novo caminho para o apoio ao diagnóstico do câncer de mama. O Detector Ionizográfico (DI) é um equipamento criado para identificar alterações suspeitas em nódulos a partir da radiação emitida por radiofármacos administrados ao paciente. A proposta é acrescenta aos exames de imagem tradicionais informações sobre o comportamento metabólico da lesão, sem a necessidade de um procedimento invasivo nessa etapa de investigação.
O equipamento está em desenvolvimento há mais de dez anos e agora avança para uma etapa decisiva: a transformação do protótipo desenvolvido no ambiente de pesquisa em uma versão industrial, com potencial de produção em escala e utilização em serviços de saúde.
De acordo com Helton Gírio Matos, doutor em Engenharia Biomédica e um dos idealizadores do equipamento, a tecnologia não pretende substituir exames como mamografia, ultrassom, PET/CT ou biópsia. A ideia é atuar de maneira complementar, acrescentando uma cama funcional à avaliação dos nódulos.
“Enquanto exames como ultrassom e mamografia avaliam principalmente a forma, tamanho, margens e localização do nódulo, o DI acrescenta uma informação complementar: o comportamento metabólico da lesão”, explica Helton.
Tecnologia desenvolvida no Piauí ajuda a identificar sinais de câncer e amplia acesso ao diagnóstico
Como funciona o Detector Ionizográfico
O princípio do Detector Ionizográfico está relacionado ao metabolismo de determinados tumores. Tumores malignos apresentam alto metabolismo e na presenca de radiofármaco, concentra maior captação do mesmo.
“Dessa forma, o DI consegue produzir uma leitura funcional localizada, que pode indicar alterações suspeitas no comportamento metabólico do nódulo”, explica Helton Matos, um dos idealizadores do equipamento. Segundo ele, a diferença em relação aos exames anatômicos é justamente o tipo de informação obtida. “Um ultrassom, por exemplo, permite visualizar características estruturais da lesão. O Detector Ionizográfico busca responder a outra pergunta: como aquela região está se comportando metabolicamente?”.

Tecnologia desenvolvida no Piauí ajuda a identificar sinais de câncer e amplia acesso ao diagnóstico
Helton diz que essa combinação pode ser importante na investigação de nódulos cuja avaliação apenas pela imagem seja insuficiente para definir o grau de suspeição.
De acordo com o doutor em Engenharia Biomédica, os testes laboratoriais e clínicos preliminares realizados com pacientes apresentaram correspondência de 100% com os exames de PET/CT nos casos avaliados. Esse resultado é considerado promissor pelos pesquisadores porque demonstra que o DI foi capaz de registrar sinais funcionais compatíveis com aqueles observados em uma tecnologia de alta complexidade.
A informação, porém, precisa ser interpretada dentro dos limites da pesquisa, segundo afirma Helton. “A correspondência que observamos nos casos avaliados não significa que o DI já possa substituir o PET/CT ou que tenha sua eficácia clínica definitivamente estabelecida. Essa tecnologia nossa ainda precisa passar por etapas de validação mais amplas, padronização dos protocolos, desenvolvimento industrial e adequação aos requisitos regulatórios para uso em saúde”, pontua.
Para o pesquisador, os resultados até agora reforçam a hipótese de que o Detector Ionizográfico pode se tornar uma ferramenta complementar no diagnóstico funcional de nódulos. A tecnologia pode ajudar inclusive a reduzir as etapas deste diagnóstico.

Tecnologia desenvolvida no Piauí ajuda a identificar sinais de câncer e amplia acesso ao diagnóstico
É que o diagnóstico de câncer de mama pode envolver uma sequência de exames, de encaminhamentos e procedimentos até a confirmação da doença. Quando uma biópsia é necessária, também há retirada de tecido para análise laboratorial. Helton Matos explica que o DI não elimina essa necessidade quando o procedimento for indicado.
A possível contribuição, segundo ele, está em fornecer uma informação adicional antes de etapas mais invasivas, ajudando a qualificar a suspeita clínica. “O diagnóstico precoce é particularmente importante no câncer de mama, já que a identificação da doença em tempo oportuno pode ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar os resultados para os pacientes”, afirma Helton.
Próximo passo é transformar protótipo em equipamento industrial
O principal desafio agora é transformar o Detector Ionizográfico em um produto médico robusto, padronizado e reproduzível. O projeto conta com a participação do Senai-SP, em parceria com EMBRAPII e SEBRAE, para avançar no desenvolvimento industrial. Entre os pontos que precisam ser consolidados estão componentes, calibração, estabilidade das leituras, repetibilidade, controle de qualidade, documentação técnica, manutenção e segurança operacional.
“Outro desafio que temos é ampliar a validação do DI em ambientes reais de saúde. Nosso projeto também já passou a integrar o InovaSUS Digital”, diz Helton. O InovaSUS Digital é uma iniciativa para aproximar a tecnologia de centros de pesquisa, redes de saúde, gestores e potenciais parceiros de validação.
Também é necessário avaliar ainda aspectos econômicos e assistenciais como custo-benefício, treinamento dos profissionais, manutenção, implantação e capacidade de ampliar o acesso ao diagnóstico.
Crédito: Link de origem