Sob contestação de Sánchez, Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível na disputa presidencial do Peru; resultado oficial não foi proclamado
A candidata de extrema direita Keiko Fujimori (Fuerza Popular) alcançou uma vantagem matematicamente irreversível sobre o representante da esquerda Roberto Sánchez (Juntos por él Perú) na disputa presidencial do Peru. Com 99,86% das urnas apuradas, Fujimori soma 50,118% dos votos, contra 49,882% de Sánchez, diferença superior a 43 mil votos que não pode mais ser revertida pelos cerca de 40 mil votos restantes correspondentes a 131 atas eleitorais.
O resultado é contestado pelo adversário. Segundo Sánchez, a votação realizada fora do país teria sido marcada por falhas administrativas e problemas na custódia das cédulas eleitorais. O candidato sustenta que os cerca de 300 mil votos registrados no exterior favoreceram amplamente Fujimori e foram decisivos para a mudança no resultado da apuração.
Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (23), Sánchez afirmou que não reconhecerá um eventual governo da adversária e voltou a denunciar irregularidades na votação de peruanos residentes no exterior.
“Não reconheceremos o governo da senhora Fujimori”, declarou o candidato da coalizão Juntos por el Perú, que acusa os órgãos eleitorais de favorecerem a candidata do partido Força Popular.
A campanha da esquerda apresentou nesta semana um novo recurso pedindo a anulação dos votos emitidos no exterior, alegando a existência de “fraude eleitoral” e de “vícios insanáveis” no processo. O pedido se soma a outros recursos já apresentados ao longo da apuração.
Na terça-feira, porém, o Júri Nacional de Eleições (JNE) rejeitou um dos pedidos de nulidade apresentados pela campanha de Sánchez, alegando que a solicitação foi protocolada fora do prazo previsto e sem o pagamento das taxas exigidas pela legislação eleitoral.
Resultado oficial não foi proclamado
Embora a vantagem de Fujimori seja considerada definitiva do ponto de vista matemático, o resultado oficial ainda não foi proclamado. A Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) informou que aguarda a resolução de atas observadas e de recursos pendentes para concluir o cômputo oficial.
Especialistas ouvidos pela imprensa peruana afirmam que ainda faltam audiências de recontagem de votos e a análise dos últimos recursos apresentados pela esquerda antes da proclamação formal do vencedor. Segundo informações divulgadas pelo jornal El Comercio, a cerimônia de proclamação dos resultados presidenciais pode ocorrer em 7 de julho.
Caso a vitória seja confirmada, Keiko Fujimori retornará o fujimorismo ao Palácio de Governo mais de duas décadas após a queda de seu pai, Alberto Fujimori, ditador que governou o Peru entre 1990 e 2000 e foi posteriormente condenado por corrupção e crimes contra a humanidade.
A eleição expôs a forte polarização política do país. Enquanto Fujimori obteve seus melhores resultados na costa peruana e em importantes centros urbanos, Sánchez teve desempenho superior nas regiões andinas e rurais. O combate ao crime organizado foi o principal eixo da campanha da candidata da direita, enquanto o candidato de esquerda centrou seu discurso no fortalecimento das instituições públicas e na redução das desigualdades sociais.
O vencedor tomará posse em 28 de julho para um mandato de cinco anos, em um país que vive um prolongado período de instabilidade política e que teve oito presidentes desde 2016.
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