Senadora do Paraguai volta à carga: “França não é a França de Mbappé”

Celeste Amarilla está nas bocas do mundo depois de ter atacado Kylian Mbappé, mas garante que não o fez “por 15 minutos de fama”, até porque, defendeu, já tem “notoriedade suficiente”. Mesmo após as críticas e o anúncio do Ministério Público francês em como vai investigar o caso, a senadora paraguaia não recua e continua a dizer que mantém tudo aquilo que disse.

Tudo começou em campo com a eliminação do Paraguai pela França no Mundial deste ano, quando Amarilla teceu um rol de comentários sobre o futebolista. 

Para além de dizer que Mbappé era “bruto”, que “nunca aprendeu a escrever” e que é um “camaronês colonizado a fingir com toda a força que é francês”, Amarilla considerou ainda: “Em vez de leite materno, chupava cocos e os mais instruídos que ouviu foram chimpanzés”.

Para além de ganhar destaque na imprensa por todo o mundo, o caso chegou também ao Ministério Público de França, que abriu uma investigação aos insultos.

“Mantenho o que disse. Podem julgar inadequado”

Agora, Amarilla volta a insistir nos comentários de cariz racista que proferiu e, segundo o Le Parisien, mantém tudo aquilo pelo qual está a ser falada. “Mantenho o que disse, e vocês podem reler os meus comentários. Podem julgá-los como inadequados, se quiserem, mas eles eram direcionados a Mbappé. Em que momento mencionei a França?”, questionou.

Note-se que para além de Mbappé, que respondeu a estas palavras dizendo que Amarilla era uma “mulher desprezível” e “indigna do cargo que ocupa“, também o governo do Paraguai emitiu um comunicado no qual apontou que os comentários feitos eram contrários aos valores do país, que são, entre outros, “respeito, dignidade humana e convivência pacífica”. O congresso paraguaio deu ‘luz verde’, inclusivamente, a uma resolução para que as suas declarações fossem dissociadas do órgão legislativo.

“Eu mesma poderia ter pedido que fizessem isso, se os tranquilizasse, porque vejo pessoas assustadas, envergonhadas de mim. Posso tirar esse enorme peso dos vossos ombros”, afirmou, mais tarde dizendo que as suas declarações foram relativas à sua opinião e que não deveriam ser associadas ao seu papel.

Ao executivo, Amarilla respondeu dizendo a tomada de posição foi injustificada e que França “nem sequer foi afetada” com os seus comentários.

Já em jeito de resposta ao MP francês, Amarilla acrescentou: “França não pode processar-me pelo que eu disse a um francês”.

A senadora apontou ainda, sem qualquer recuo sobre as declarações que fez contra Mbappé, que achava que alguém o tinha influenciado: “Não acho que Mbappé tenha lido a minha mensagem. Alguém o manipulou. Além disso, França não é a França de Mbappé. É a França de Voltaire, de Rosseau. A França é demasiado vasta para ser reduzida a Mbappé”.

ONU condenou “declarações desumanizantes”

Para além de o tema ser falado na justiça e no congresso do Paraguai, chegou também à Organização das Nações Unidas (ONU), que referiu que as “declarações racistas e desumanizantes feitas contra o jogador de futebol francês Kylian Mbappé pela senadora paraguaia Celeste Amarilla são desprezíveis”.

“Os incidentes racistas relatados durante o Mundial […] refletem um fenómeno mais amplo que afeta o futebol e o desporto em geral”, disse Thameen Al-Kheetan, porta-voz do Alto Comissariado da ONU em comunicado.

Thameen Al-Kheetan lembrou alertou que “figuras públicas têm uma responsabilidade crescente no combate ao racismo, à discriminação e ao discurso de ódio em suas intervenções públicas”.

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