Sem proposta da prefeitura, educação de Alto Paraguai inicia greve pelo Piso Salarial

Trabalhadores da educação do município de Alto Paraguai participam da reunião com prefeito para cobrar Piso Salarial

Sem proposta de negociação, os trabalhadores da educação da rede municipal de Alto Paraguai iniciam a paralisação reivindicando o Piso Salarial Profissional, conforme a legislação federal (Lei nº 11.738/2008). A greve, anunciada para ontem (21/07), já teve decisão judicial contrária antes mesmo de começar. Contudo, a categoria, por meio da subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) no município, decidiu pelo enfrentamento.

A reunião realizada entre a prefeitura e o Sindicato, na tarde de terça-feira (21), não apresentou proposta concreta para a implementação do Piso Salarial Profissional. Diante disso, os profissionais decidiram prosseguir com o que estava programado. Nesta quarta-feira, as escolas funcionarão apenas com o percentual legal (30%).

Os estudos financeiros sobre os recursos da educação no município, realizados pela subsede do Sintep/Alto Paraguai, confirmam a viabilidade orçamentária. Contudo, constatou-se desvio de finalidade das verbas da Educação na rede municipal. Os dados foram apresentados ao prefeito, Adair José Alves Moreira, na reunião, com a ajuda do pesquisador e professor Henrique Lopes, convidado pelo sindicato.

Profissionais da educação e convidados, reunidos para a reunião realizada com a Prefeitura

“A folha de pagamento da educação está inflada com pessoal de outras áreas. Isso significa dizer que o recurso que deveria ser usado para o pagamento de salários dos profissionais da educação está sendo desviado para pagamentos de trabalhadores de outros setores da prefeitura”, relata o diretor regional do Sintep-MT, polo Médio Norte II, Joildo Jovino Oliveira.

A presidenta da subsede do Sintep/Alto Paraguai, Márcia Araújo Gomes, surpreendeu-se com a rapidez com que a Justiça enviou a decisão, apesar de a categoria estar resguardada por orientações do Ministério Público Estadual. A reunião contou com a presença do promotor de Justiça Arthur Yasuhiro Kenji Sato, da 2ª Vara Cível da Comarca de Diamantino, a pedido do Sindicato, com o objetivo de ajudar na construção de uma proposta.

Conforme Márcia, a prefeitura quer deixar para negociar o pagamento do Piso Salarial no mês de setembro, o que a categoria rejeita. Para os profissionais, essa é mais uma tentativa de postergar o pagamento, que já deveria ter sido contabilizado no orçamento do município ainda em 2025, na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

“Estamos cansados de sermos desrespeitados e desconsiderados no orçamento municipal, apesar de sermos parte importante na composição dos impostos. Nossa reivindicação é pela apresentação de uma planilha de pagamento daquilo que é nosso direito”, afirmou.

A presidenta do Sintep-MT, Maria Celma Oliveria esteve presente na reunião e reforçou a decisão dos profissionais de que não precisam mais tempo para avaliar, o que precisa é proposta. 


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