São Tomé e Príncipe: Américo Ramos declara-se novo líder da ADI

O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos, declarou-se, este sábado, como o novo líder do partido ADI, durante um congresso contestado pela direcção do partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada.

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Uma nova direcção da ADI foi eleita, no sábado, no V Congresso Extraordinário desta força política liderada pelo actual primeiro-ministro Américo Ramos. Esta direcção foi eleita à revelia de uma outra presidida por Patrice Trovoada.

Tendo havido já uma decisão do Tribunal Constitucional através do acórdão, era necessário fazer um congresso dentro do prazo estipulado […] não tendo sido feito [pela direcção do partido], decidimos, a maioria de militantes e delegados aos congressos, e conselheiros do Conselho Nacional reunimo-nos aqui para realizar”, disse Américo Ramos.

Eu desde a primeira hora manifestei, desde Novembro,  como candidato à liderança do partido, por isso é que o fizemos, e eu venci porque era a única lista”, declarou.

Na sexta-feira, a direcção da ADI, liderada por Patrice Trovoada pediu ao Tribunal Constitucional que proíba Américo Ramos e os seus apoiantes de realizar reuniões com militantes do partido.

No mês de Março, o Tribunal Constitucional aceitou uma providência cautelar apresentada pelo grupo que apoia Américo Ramos e impediu a realização de um Conselho Nacional organizado pela direcção da ADI, presidida pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, que pretendia adiar o congresso eletivo agendado para Abril, mas que não aconteceu.

Num acórdão de 28 de Maio, o Tribunal Constitucional ordenou à ADI para convocar o congresso num prazo não superior a 30 dias, mas o presidente do partido, Patrice Trovoada, declarou que não acataria a decisão.

Após o congresso deste sábado, Américo Ramos disse ter todas as condições para ser reconhecido pelo tribunal como novo presidente da ADI: “Nós vamos fazer as coisas de acordo com a lei, com o estatuto. Vamos enviar os documentos todos ao Tribunal Constitucional e achamos que há todas as condições criadas para que o Américo Ramos e a sua equipa seja legitimamente a nova direção do ADI.

A crise interna da ADI agudizou-se após a demissão do Governo de Patrice Trovoada em Janeiro de 2025 pelo Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova que rejeitou vários nomes propostos pelo partido e escolheu para primeiro-ministro o ex-secretário-geral da ADI, Américo Ramos, contra a indicação da direcção do partido. Desde então, o partido demarcou-se do Governo e rompeu com os seus elementos que o integraram.

Esta direcção liderada por  Américo Ramos pretende organizar o  partido para concorrer às eleições legislativas e autárquicas marcadas para 27 de Setembro. São Tomé e Príncipe tem eleições presidenciais em 19 de Julho e legislativas, autárquicas e regional a 27 de Setembro.

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