Helicóptero marcou gerações de aviadores em missões de evacuação sanitária, transporte operacional, apoio à população e combate ao garimpo ilegal; frota local está sendo substituída pelo H225M Caracal
A Força Aérea e Espacial Francesa anunciou o encerramento das operações do helicóptero SA 330 Puma na Guiana Francesa, concluindo uma trajetória de 47 anos de serviço em um dos ambientes mais exigentes enfrentados pela aviação militar do país.
Em sua mensagem de despedida, a força destacou o emprego da aeronave em evacuações sanitárias, transporte operacional e apoio às operações de combate ao garimpo ilegal. Segundo a instituição, o Puma deixou sua marca em sucessivas gerações de aviadores que serviram no território sul-americano.
A retirada refere-se especificamente à presença do modelo na Guiana Francesa. O anúncio não representa, por si só, o encerramento imediato de todas as operações do SA 330 Puma nas demais unidades francesas.
Helicóptero tornou-se essencial na floresta amazônica
Baseados na Base Aérea 367 “Capitaine François Massé”, próxima ao Aeroporto Internacional de Caiena-Félix Éboué, os Pumas foram operados pelo Escadron de Transport 00.068 “Antilles-Guyane”.
No território, a aeronave assumiu missões que iam muito além do transporte convencional. O helicóptero era empregado para levar militares, equipamentos, alimentos e combustível a unidades isoladas, muitas vezes instaladas em áreas inacessíveis por estradas.
O SA 330 também realizava evacuações sanitárias em apoio aos serviços médicos civis, permitindo transportar pacientes de comunidades remotas até centros hospitalares. A própria Força Aérea francesa relaciona entre as principais funções do Puma as missões de busca e salvamento, evacuação médica e transporte de tropas.
Em uma região coberta por extensa floresta equatorial, atravessada por rios e com poucas vias terrestres, o helicóptero tornou-se um dos principais meios para garantir mobilidade às forças francesas e assistência às populações do interior.
Apoio permanente à Operação Harpie
Uma das missões mais conhecidas do Puma na Guiana foi o apoio à Operação Harpie, esforço conjunto das Forças Armadas francesas, da Gendarmaria e de outros órgãos governamentais contra a extração ilegal de ouro.
Os helicópteros transportavam tropas, suprimentos e equipamentos para bases avançadas e áreas de operação dentro da floresta. Também permitiam deslocar rapidamente equipes entre diferentes pontos, reduzindo a dependência dos longos trajetos fluviais.
A documentação oficial francesa identifica expressamente o SA 330 como uma das aeronaves utilizadas de forma permanente na campanha contra o garimpo clandestino.
O Puma também apoiou missões relacionadas à proteção do Centro Espacial da Guiana, resposta a emergências, transporte logístico e manutenção da presença militar francesa em áreas remotas.
Uma plataforma introduzida há mais de meio século
O SA 330 Puma entrou oficialmente em serviço na então Força Aérea Francesa em 2 de maio de 1974. Desenvolvido originalmente pela Sud Aviation, o helicóptero bimotor foi concebido como uma plataforma de transporte médio capaz de atuar em condições meteorológicas e operacionais difíceis.
A versão francesa pode transportar até 18 militares, dependendo da configuração, e atingir velocidade próxima de 300 km/h. Ao longo da carreira, a plataforma recebeu diferentes equipamentos e adaptações para missões de salvamento, reconhecimento, navegação e operações em territórios ultramarinos.
Na Guiana, a robustez e a simplicidade operacional do Puma foram particularmente importantes. Elevada umidade, temperaturas altas, chuvas intensas, distâncias extensas e ausência de infraestrutura impunham condições severas tanto às aeronaves quanto às equipes de manutenção.
Caracal assume progressivamente as missões
A substituição do Puma na Guiana começou em agosto de 2025, quando os dois primeiros helicópteros H225M Caracal chegaram à Base Aérea 367. Poucas semanas depois, os novos aparelhos já estavam sendo utilizados no treinamento das tripulações e em missões logísticas da Operação Harpie.
Em 17 de janeiro de 2026, as forças francesas receberam um terceiro Caracal. O planejamento prevê a implantação progressiva de quatro aeronaves no território, formando a nova capacidade de transporte e intervenção das Forças Armadas na Guiana.
Os Caracal assumirão as mesmas categorias de missão realizadas pelos Pumas, incluindo:
- evacuações sanitárias;
- transporte de tropas e cargas;
- apoio à Operação Harpie;
- proteção do Centro Espacial da Guiana;
- combate à pesca ilegal;
- busca, salvamento e operações com guincho.
Os novos helicópteros oferecem maior autonomia, aviônica modernizada, melhores sensores e maior capacidade para operações noturnas e em condições meteorológicas adversas. A Força Aérea francesa também já empregou o Caracal em missões reais de abastecimento de tropas na floresta e evacuação sanitária de moradores de comunidades isoladas.
Uma despedida restrita à Guiana
O voo final encerra um capítulo histórico na presença militar francesa na América do Sul. Durante quase cinco décadas, o Puma atuou como ligação entre a faixa costeira, as instalações militares, as comunidades isoladas e as unidades posicionadas no interior da floresta.
Sua retirada simboliza a passagem de uma plataforma desenvolvida na década de 1960 para uma geração mais moderna de helicópteros, preparada para operar com sensores digitais, maior alcance e melhor capacidade em ambientes complexos.
Para os aviadores que serviram na Base Aérea 367, entretanto, o fim das operações representa mais do que uma simples substituição de equipamentos. O SA 330 Puma foi durante 47 anos um dos principais instrumentos de mobilidade, socorro e presença militar francesa na Amazônia — uma aeronave associada tanto às operações de soberania quanto ao salvamento de vidas.■


FOTOS: Armée de l’Air et de l’Espace
Comentários
Removemos temporariamente a seção de comentários dos sites da Trilogia Forças de Defesa. Para continuar comentando e discutindo as matérias, entre no nosso grupo no WhatsApp e no Facebook. Para correções, críticas e sugestões de pauta, contate os editores: redacao@fordefesa.com.br.
Crédito: Link de origem