Quando o produto vira estilo de vida

Vinte anos depois da primeira entrevista à VERO, a fundadora da Pacco, Bridilla Gobbi Fala sobre crescimento, liderança e os bastidores de uma marca que se tornou símbolo de comportamento

NA PRIMEIRA vez que a moradora da região Bridilla Gobbi falou com a VERO, ainda no início da carreira, o que existia era intuição, energia e vontade de fazer acontecer. Anos depois, à frente da Pacco, uma empresa de produtos térmicos consolidada e em expansão — com 232 tipos de produtos e que já vendeu mais de um milhão de garrafas —, ela volta com outra perspectiva: mais estrutura, mais responsabilidade e a mesma inquietação de sempre.

O que mudou na sua visão de carreira e sucesso ao longo dos anos?

Primeiro vou te contar o que não mudou: meu entusiasmo de fazer acontecer quando acredito em algo e essa inquietação que me faz buscar alternativas e não desistir. A grande mudança foi aprender a ser executiva além de empreendedora. Quando você começa colocando a mão na massa, em todas as áreas, é difícil dar um passo atrás, liderar e aceitar erros que não são os seus. Hoje entendo que, com um time preparado, você vai muito mais longe.

A Pacco deixou de ser produto e virou marca de lifestyle. Quando veio essa virada?

Ela aconteceu de forma muito natural. Nascemos dentro de um consultório, em um momento em que as pessoas começaram a olhar mais para saúde e bem-estar. Com o tempo, e principalmente após a pandemia, carregar a própria garrafa virou comportamento. Assim como ninguém sai sem o celular, muita gente não sai sem a Pacco. A garrafa deixou de ser só funcional e passou a compor o estilo.

A meta de 1 milhão de unidades chamou atenção. O que mudou quando a empresa ganhou escala?

Muita coisa mudou. Estrutura, organização, processos. Saímos de uma operação muito intuitiva para uma empresa mais organizada, com áreas definidas e um time que hoje passa de 150 pessoas. O Victor, meu marido e CEO, teve um papel importante nessa estruturação. Criamos RH, fortalecemos a cultura e passamos a trabalhar com mais consistência.

Hoje qual é o tamanho da operação da Pacco?

A gente não abre números, mas posso dizer que somos considerados uma empresa de médio a grande porte. E isso traz uma série de oportunidades, tanto na relação com fornecedores quanto com parceiros. É algo que me dá muito orgulho, principalmente olhando de onde começamos.

O mercado ficou mais competitivo. O que sustenta a relevância da Pacco hoje?

Nunca abrimos mão de três pilares: design, tecnologia e inovação. Se um desses não está presente, a gente não lança. Essa consistência constrói confiança, e é isso que mantém a marca relevante mesmo com mais concorrência.

Qual foi o divisor de águas da marca?

As garrafas, sem dúvida. Até então, trabalhávamos com lancheiras. Em uma viagem, vimos garrafas reutilizáveis e decidimos testar. Lançamos um modelo em três tamanhos e a aceitação foi imediata. A partir dali, nos tornamos referência no segmento.

Alphaville influencia o seu jeito de empreender?

Minha história está completamente ligada à região. Cresci na Aldeia da Serra, estudei por aqui, fiz minhas amizades aqui e construí minha família aqui. Hoje meus filhos estudam em Alphaville, meu escritório está aqui e toda a minha rotina acontece na região. Isso traz uma qualidade de vida enorme. A construção da marca independe do lugar, mas Alphaville me inspira muito, principalmente na observação de comportamento, que é algo que sempre me interessou.

Liderar sendo mulher ainda traz desafios específicos? Ou isso mudou na prática?

Desde cedo tive o exemplo dentro de casa que mulher tem força e manda muito (risos): minha mãe, uma empreendedora que sempre trabalhou e ditou as regras do jogo, e minha sogra, a mesma coisa. Então isso nunca foi um desafio. Confiança e coragem foram duas palavras que cresci escutando do meu avô e de todos à minha volta. Isso me tornou uma mulher que acredita muito em si mesma e não se importa com a opinião dos outros. Gosto e sei me impor!

O que ainda falta construir?

Muita coisa. Empresa é um organismo vivo. Cresce, muda, evolui. Novas áreas surgem, outras se transformam, sistemas precisam acompanhar. Aqui dentro, gostamos de ter tudo estruturado internamente, marketing, produto, eventos, tecnologia. Isso exige construção constante.

Qual é o próximo movimento da Pacco?

Estamos expandindo nossos pontos físicos, com quiosques próprios em shoppings e também com o modelo de franquias. Além disso, começamos o processo de internacionalização, com foco na América do Sul. É um novo momento da marca, e ainda temos bastante espaço para crescer.

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