“Pugilismo diplomático entre Maputo e Bissau”: Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau acusa Daniel Chapo de ingerência e exige respeito pela soberania

No documento, o CNT manifesta “profundo repúdio” às declarações do Chefe de Estado moçambicano, considerando que estas representam uma ingerência em matérias da exclusiva competência das autoridades da Guiné-Bissau e uma afronta ao princípio da soberania nacional.

A instituição guineense sustenta que as decisões judiciais do país devem ser respeitadas por todos os Estados, rejeitando qualquer tentativa de influência externa sobre o funcionamento do seu sistema judicial.

O comunicado vai além da crítica às declarações, questionando também a legitimidade política de Daniel Chapo. O CNT refere que vários Chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) não estiveram presentes na cerimónia da sua investidura, acrescentando que a participação do Presidente da Guiné-Bissau foi um gesto de solidariedade para com o povo moçambicano.

Na mesma nota, o Conselho Nacional de Transição critica o que considera ser uma aplicação desigual de critérios pela comunidade internacional em processos judiciais envolvendo líderes políticos, citando como exemplos os casos do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ex-Presidente Jair Bolsonaro.

O órgão defende ainda que Moçambique enfrenta desafios internos significativos, sobretudo nas áreas da segurança e do combate ao terrorismo, argumentando que as autoridades moçambicanas deveriam concentrar esforços na resolução desses problemas em vez de comentarem questões internas da Guiné-Bissau.

O comunicado termina reafirmando que Bissau “não aceita ingerências externas” e exige respeito pela sua soberania e pelas decisões das suas instituições.

Até ao momento, a Presidência da República de Moçambique não se pronunciou oficialmente sobre o comunicado divulgado pelo Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau. (Nando Mabica)

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