Presidente iraniano diz terem fracassado tentativas dos EUA de transformar o país “na Venezuela” — DNOTICIAS.PT
O Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, afirmou hoje que a tentativa dos Estados Unidos de destruir a atual estrutura governamental da República Islâmica para instalar autoridades mais favoráveis a Washington, tal como aconteceu na Venezuela, fracassou completamente.
“O Irão não só não se tornou na Venezuela, como o mundo ficou impressionado com o nosso poder”, afirmou Pezeshkian num discurso hoje difundido pela televisão estatal, no qual acusou os Estados Unidos de combinarem os seus ataques militares com táticas de desestabilização interna.
Segundo Pezeshkian, os “inimigos” do Irão “esperam criar divisões e fissuras na sociedade através de problemas”, reconhecendo, no entanto, que essas dificuldades existem.
“É uma vergonha para nós que existam problemas”, indicou o político iraniano a este respeito, antes de argumentar que a sociedade iraniana se encontra neste momento “envolvida numa guerra económica, militar e de segurança em grande escala”.
Perante as “sanções esmagadoras” prometidas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Pezeshkian garantiu que o governo iraniano se manterá firme e envidará “todos os esforços possíveis para servir o povo face a esta guerra desigual”.
“Esforçamo-nos ao máximo para superar a inflação, os problemas de subsistência, a falta de emprego e para garantir um futuro digno e de orgulho para o povo”, afirmou o Presidente iraniano, antes de explicar que, para tal, é imprescindível que Teerão se mantenha firme nas negociações, porque se “decidirem algo e depois recuarem vão deparar-se com uma situação muito delicada”.
E concluiu: “espero que esta união e coesão se mantenham estáveis. O inimigo pretende criar divisões e fissuras na sociedade através de problemas e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para as evitar, bem como os conflitos e os egos”.
Estas declarações surgem após os Estados Unidos, na quinta-feira, terem prometido “derrubar” o regime iraniano com a campanha de sanções anunciada, quase seis meses após o início da guerra.
“Estamos envolvidos numa guerra total nos planos económico, militar e de segurança. Ele (o Presidente norte-americano, Donald Trump) afirma sem rodeios que está a impor ao Irão as sanções mais esmagadoras ou mais temíveis”, declarou Pezeshkian.
Nos últimos anos, o governo iraniano tem enfrentado várias ondas de manifestações, muitas vezes desencadeadas pela deterioração da situação económica, pela inflação e pela diminuição do poder de compra.
No final de dezembro, um movimento de protesto, inicialmente desencadeado pelo aumento do custo de vida, transformou-se rapidamente em vastos protestos contra o poder.
As autoridades registaram mais de 3.000 mortos, atribuindo a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
Por seu lado, organizações não-governamentais sedeadas no estrangeiro relataram uma repressão que causou milhares de mortos.
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