“Corrija aquilo que precisa de ser corrigido. Modernize aquilo que precisa de ser modernizado e prepare o Banco de Moçambique para servir uma economia que está determinada a transformar-se com as várias reformas que estamos a levar a cabo”, disse Chapo, ao dar posse ao novo governador, na Presidência da República, em Maputo.
Chapo afirmou que o “caminho para a independência económica”, objetivo traçado desde que chegou ao poder, em 2025, “será longo e não existem atalhos”, contando para isso com o banco central: “Teremos de produzir mais, poupar mais, investir mais, exportar mais, gerir prudentemente os nossos recursos. O Banco de Moçambique tem um papel fundamental neste percurso, porque a estabilidade que procuramos não é a estabilidade da imobilidade, é a estabilidade que gera confiança, permite investir permite fazer poupança e produzir e acompanha a transformação de Moçambique”.
O Presidente moçambicano nomeou na terça-feira o economista Felisberto Dinis Navalha, com um percurso de 28 anos no banco central, para governador, um dia depois de ter indicado Waldemar Fernando de Sousa para o cargo, alegando “questões supervenientes” para essa mudança.
A decisão foi anunciada em comunicado pela Presidência moçambicana, que na segunda-feira ao final do dia tinha divulgado a nomeação de Waldemar Fernando de Sousa para governador do Banco de Moçambique e de Felisberto Dinis Navalha para vice-governador, agora promovido a governador, sucendendo assim a dez anos, e dois mandatos, de Rogério Zandamela.
Na cerimónia de posse, Chapo pediu um Banco de Moçambique “preparado” para “as profundas transformações tecnológicas do sistema financeiro mundial” e para “promover a inovação sem comprometer a estabilidade, estimular a concorrência e, sem enfraquecer a supervisão”.
“O sistema financeiro não pode ser uma realidade apenas dos grandes centros urbanos. Tem de chegar ao produtor rural da economia moçambicana, à pequena empresa, à mulher empreendedora, ao jovem que pretende transformar uma ideia numa empresa”, destacou.
Para o chefe de Estado, o Banco de Moçambique deve ainda “conhecer não apenas os indicadores macroeconómicos”, mas também “a economia que existe por detrás dos números, deve dialogar com o Moçambique real e trabalhar com base na economia real”.
“Há um princípio institucional fundamental: o Banco de Moçambique deve exercer as suas funções com independência, rigor técnico e sentido de responsabilidade. A credibilidade da política monetária depende, sobretudo, da confiança, em qualquer parte do mundo, da independência operacional e da transparência na comunicação”, disse ainda.
Contudo, alertou que a “independência do banco central não significa isolamento institucional”.
“Repito, a independência do banco central não significa isolamento institucional. E coordenação com o Governo não significa subordinação da política monetária à política fiscal nem financeira. Precisamos de instituições fortes que respeitem os seus mandatos, dialoguem entre si e compreendam que, embora desempenhem funções diferentes, servem o mesmo país, o mesmo Estado e o mesmo povo”, enfatizou.
“Precisamos de uma política fiscal responsável, uma política monetária credível, um sistema financeiro sólido e reformas estruturais que aumentem a capacidade produtiva do da nossa economia, porque só assim é que teremos uma economia forte, dinâmica, com mais exportações e menos importações”, reforçou.
Chapo desafiou o governador: “Escute a economia, dialogue com o governo, com o setor financeiro, com o setor privado, com as academias e comunique-se com clareza com os cidadãos. Porque a confiança também se constrói através da previsibilidade, da transparência e da integridade pessoal e institucional”.
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