O Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE) defende que a proximidade histórica, cultural e linguística coloca o país numa posição privilegiada para servir de ponte económica entre os dois blocos
Portugal deve assumir-se como a principal plataforma europeia para o Brasil no âmbito do acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercosul. A posição foi defendida por Vitalino Canas, presidente do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE) e antigo secretário de Estado, a propósito do debate Fórum Acordo Mercosul–UE: Oportunidades e Desafios, que reunirá em Lisboa figuras de relevo do meio político e económico dos dois lados do Atlântico.
Segundo o responsável, as empresas brasileiras tendem a olhar para Portugal como o ponto natural de ancoragem para entrar no mercado comunitário, tirando partido da facilidade de comunicação, da proximidade cultural e dos laços institucionais já existentes.
Oportunidade para o azeite e o vinho português
Do lado das exportações nacionais, o acordo abre perspetivas muito favoráveis para setores tradicionais da economia portuguesa, nomeadamente o agroalimentar. Produtos emblemáticos como o vinho e o azeite enfrentam atualmente elevadas taxas alfandegárias no mercado brasileiro — ficando em desvantagem perante concorrentes de países sul-americanos como o Chile e a Argentina.
Com a eliminação gradual dos impostos de importação, os produtores portugueses ganham terreno num mercado de grande dimensão, embora o impacto prático só se venha a fazer sentir de forma progressiva ao longo dos próximos anos.
Um mercado global de 700 milhões de consumidores
O acordo de comércio livre entre a UE e o Mercosul abrange um mercado conjunto com mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de cerca de 19 biliões de euros. Quando estiver em pleno funcionamento, prevê-se a eliminação de tarifas em mais de 90% das trocas comerciais entre as duas regiões.
Apesar de já ter entrado em vigor provisoriamente após a ratificação pelos países fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), o tratado aguarda ainda o processo de ratificação no Parlamento Europeu, continuando a enfrentar a oposição de setores agrícolas em países como a França e a Polónia.
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