Por que tantos terremotos atingem a América do Sul? | Mundo

Em menos de dois meses, Peru, Colômbia e Venezuela sofreram fortes terremotos, deixando mortos e desaparecidos. Apesar da tragédia humana e da coincidência de eventos, o geofísico do Serviço Geológico do Brasil (SGB) Marcos Ferreira explica que esses são “eventos normais” do planeta e que a região está propensa a abalos sísmicos por causa do chamado “círculo de fogo”.

“Essa região é onde há o encontro das bordas das principais grandes placas tectônicas do mundo e quando você tem um movimento de conversão, ou seja, de choque de placas, você tem um acúmulo muito grande de energia. E como esse é um movimento que acontece rotineiramente, essa região possui a maior ocorrência de terremotos no mundo”, explica Ferreira.

Ontem (20), o Peru sofreu um terremoto de magnitude de 6,7 e três pessoas ficaram feridas. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor acontece a 99 quilômetros de profundidade, o que limitou os danos na superfície.

Antes disso, no dia 10 de agosto, a Colômbia foi atingida por um tremor de magnitude de 7,4. Até o dia 19, a contagem de mortos chegava a 314, enquanto 262 pessoas estavam desaparecidas.

A Venezuela sofreu dois terremotos seguidos no dia 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5. Pelo menos 190 edifícios colapsaram com os tremores e, segundo dados de começo de agosto, mais de 6 mil pessoas morreram e outras 1,4 mil seguem desaparecidas.

O chamado Círculo ou Cinturão de Fogo do Pacífico inclui, além da Venezuela, Colômbia e Peru, os países que possuem a costa voltada para o Oceano Pacífico, incluindo o Chile, os Estados Unidos, o leste da Ásia, Japão, Indonésia e Nova Zelândia, por exemplo. O Brasil, por estar posicionado no meio da placa tectônica Sul-americana, não faz parte desse cinturão.

“75% da energia liberada por terremotos ocorre naquela região do globo”, descreve o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Essa região, inclusive, foi onde aconteceu o maior terremoto já registrado, em 22 de maio de 1960, em Valdivia, no Chile. O evento atingiu uma magnitude de 9,5 na Escala de Magnitude de Momento (Mw), durou cerca de 10 minutos e gerou um tsunami devastador, com ondas de até 25 metros de altura na costa chilena. O Japão e Filipinas também foram afetados pelo tsunami, enquanto a região andina sofreu com erupções vulcânicas por dias após o terremoto.

“Toda essa é região é formada por diferentes placas, mas todas estão convergindo uma com a outra e as bordas são os pontos de maior ocorrência de eventos”, diz Ferreira. O especialista, porém, alerta que apesar da proximidade entre os terremotos no Peru, Colômbia e Venezuela, estatisticamente, não é possível relacioná-los.

“Eventos dessa magnitude, de 7 para cima, nós temos em torno de 15 por ano e, em 2026, a gente teve 11 desses. Então a gente está dentro do esperado para o padrão global. Talvez o que tenha mudado é a percepção, porque hoje esses eventos acontecem e rapidamente todo mundo sabe das consequências por causa da forma como o mundo está conectado”.

Como acontece um terremoto?

Para entender como um terremoto acontece, é preciso antes de tudo entender que a crosta terrestre é formada por placas rígidas, conhecidas como placas tectônicas, que flutuam sobre a área chamada manto.

“Esse movimento é vagaroso, apenas alguns centímetros por ano. Mas, as placas são massas colossais e quando duas delas se encontram, começa a haver uma compressão. Em dado instante, a tensão acumulada é tão grande que supera a resistência das rochas e ocorre uma ruptura, chamada falha geológica. Nesse momento, ocorre o terremoto”, explica o SGB. Caso as placas estejam se afastando, a tensão formada é de distensão.

Geralmente, essa atividade sísmica acontece no limite das placas, os chamados “terremotos interplacas”, mas também é possível haver terremotos de menor intensidade no centro de uma placa, conhecidos como “terremotos intraplacas”, segundo o SGB.

O ponto no interior da crosta onde se inicia a ruptura e a consequente liberação da tensão acumulada chama-se hipocentro. O ponto da superfície terrestre imediatamente acima do hipocentro é o epicentro.

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