A outra Itália está na América do Sul: mais de 50 milhões de descendentes de italianos na Argentina e no Brasil
Existe uma Itália a milhares de quilômetros de Roma, que continua a falar italiano, a cozinhar receitas transmitidas pelos avós, a conservar sobrenomes italianos e a considerar a Península Ibérica a sua pátria.
É a Itália da América do Sul.
Os números nos ajudam a compreender a dimensão de um fenômeno sem paralelo no mundo. Segundo dados recentemente divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores, aproximadamente 1.000 pessoas vivem no Brasil nessa situação. 32 milhões de pessoas de origem italiana, enquanto na Argentina eles são mais de 20 milhões de descendentes de italianos.
Isso significa que, considerando apenas esses dois países, existem mais de 52 milhões de pessoas com raízes italianas.
Brasil e Argentina, duas grandes Itálias do outro lado do oceano.
Hoje, o Brasil representa o que a Farnesina define como a maior comunidade de descendentes de italianos no mundo.
Além dos aproximadamente 32 milhões de brasileiros de origem italiana, existem também aproximadamente um milhão de cidadãos italianosUm vínculo construído ao longo de mais de um século e meio de migração, iniciado sobretudo na segunda metade do século XIX e capaz de deixar uma marca profunda na sociedade brasileira.
A situação na Argentina não é muito diferente.
O Ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, durante sua recente visita a Buenos Aires, falou sobre Mais de um milhão de cidadãos italianos residem no país, e há mais de 20 milhões de descendentes de italianos..
Números enormes, por trás dos quais se escondem milhões de histórias familiares.
Calabrianos, sicilianos, piemonteses, venezianos, campanianos, lígures, lombardos e cidadãos de praticamente todas as regiões da Itália atravessaram o Atlântico entre os séculos XIX e XX em busca de um futuro melhor.
Muitos deles nunca mais voltaram.
Mas a Itália, de alguma forma, permaneceu com eles.
Um laço que não pertence apenas ao passado.
No entanto, seria um erro pensar na emigração italiana exclusivamente como uma página da história.
A Argentina e o Brasil continuam a manter relações muito estreitas com a Itália, não apenas culturalmente, mas também econômica e politicamente.
Apenas nos últimos dias, uma delegação italiana liderada pelo Ministro Tajani e acompanhada por aproximadamente Empresas 100 Ele visitou Buenos Aires e São Paulo com o objetivo de fortalecer ainda mais as relações entre a Itália e as duas principais economias da América do Sul.
O Brasil já é o principal parceiro comercial da Itália na América do Sul: em 2025, o comércio entre os dois países ultrapassou [valor omitido]. 11 bilhõesNa Argentina, porém, mais do que 300 empresas de propriedade italiana.
Mas por trás das relações econômicas continua existindo algo ainda mais profundo: as pessoas.
Famílias em que um sobrenome, uma receita, uma fotografia ou o nome de uma pequena cidade italiana continuam a ser transmitidos de geração em geração.
Descendentes e a redescoberta de suas origens
Nos últimos anos, a relação entre a Itália e os descendentes de emigrantes também tem assumido novas formas, e sabemos bem disso, pois estivemos na vanguarda durante anos na divulgação da nossa esplêndida Itália, especialmente aos descendentes de italianos em todo o mundo.
Há um interesse crescente em pesquisas genealógicas, na cidadania italiana e nos chamados [texto ilegível]. turismo de raiz: viagens que trazem filhos, netos e bisnetos de emigrantes às cidades de onde seus ancestrais partiram.
Para muitas famílias sul-americanas, a Itália não é apenas um destino turístico.
É o lugar de uma história familiar.
Pode ser uma cidade na Calábria com alguns milhares de habitantes, um vilarejo siciliano, uma cidade no Vêneto ou uma casa que já não existe. Muitas vezes, o nome escrito em uma certidão antiga basta para iniciar uma busca que atravessa gerações e continentes.
E é precisamente aqui que talvez resida o significado mais profundo desses 52 milhões.
Eles não representam 52 milhões de italianos em termos legais. Nem todos mantêm a mesma relação com seu país de origem.
No entanto, eles representam uma comunidade gigantesca de pessoas para quem a Itália faz parte, em diferentes graus, de sua história familiar.
Um patrimônio humano que conecta milhares de municípios italianos a Buenos Aires, São Paulo e centenas de outras cidades da América do Sul.
Mais de um século após a grande emigração, aquela ponte sobre o Atlântico ainda existe.
E hoje, talvez mais do que nunca, a Itália tem a oportunidade de redescobri-la.
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