Planos A, B e C: entenda vantagens e cenários caso seleção brasileira não se classifique em primeiro no grupo
A liderança do Grupo C pode render à seleção brasileira um benefício que vai além da tabela da Copa do Mundo. Na quarta-feira, diante da Escócia, o Brasil entra em campo com a chance de encaminhar não apenas a classificação ao mata-mata, mas também de preservar até a reta decisiva do torneio a estrutura de recuperação e preparação física montada em Nova Jersey.
O Brasil precisa de pelo menos um empate para avançar. Uma vitória garante a primeira colocação da chave, enquanto uma derrota deixará a equipe dependente do resultado entre Marrocos e Haiti para seguir viva na competição.
Nos bastidores da delegação, a disputa pela ponta do grupo é vista como estratégica porque permite à seleção manter por mais tempo a base operacional instalada desde o início da Copa. O planejamento da comissão técnica considera que a continuidade da rotina de trabalho e recuperação pode representar uma vantagem importante em uma competição marcada por deslocamentos constantes e intervalos curtos entre partidas.
Desde a chegada aos Estados Unidos, a seleção está hospedada no hotel The Ridge, em Morristown, Nova Jersey, e utiliza o centro de treinamento do New York Red Bulls como quartel-general. A CBF levou ao local equipamentos próprios para trabalhos físicos, recuperação muscular, fisioterapia e avaliações diárias realizadas pelos departamentos médico e de preparação física.
Segundo apurou o GLOBO, a escolha de Morristown foi feita pensando na campanha da Copa do Mundo como um todo, e não apenas em um cenário de classificação em primeiro lugar. A seleção permanecerá 23 dias na cidade, período que começou ainda na preparação para o amistoso contra o Egito e engloba os dois primeiros jogos do Mundial. A definição da base levou em conta a localização estratégica, a qualidade da infraestrutura e a possibilidade de concentrar em um único local toda a operação da delegação.
O formato da Copa, no entanto, acabou transformando esse planejamento em uma vantagem competitiva adicional. Caso avance em primeiro lugar e chegue até a final, o roteiro do Brasil seria Houston, Nova Jersey, Miami, Atlanta e novamente Nova Jersey. Na prática, a seleção conseguiria retornar diversas vezes à sua base, mantendo a rotina de recuperação e preparação construída desde o início do torneio.
Já o segundo colocado do Grupo C teria um percurso bem mais desgastante: Monterrey, no México, Houston, Boston, Dallas e Nova Jersey. Além das distâncias maiores, a delegação precisaria se adaptar sucessivamente a diferentes hotéis, centros de treinamento e estruturas de trabalho ao longo da competição.
O tema foi abordado pelo coordenador executivo geral das seleções masculinas, Rodrigo Caetano, que confirmou que a manutenção da base em Nova Jersey é a prioridade da CBF.
— Primeiro que a gente precisa vencer o último jogo. Esperar o resultado, principalmente do Marrocos. Para a gente saber se vai confirmar o primeiro lugar. Em confirmando, obviamente que não altera nada, e ficaremos, sim, em Nova Jersey, no mesmo hotel e no mesmo CT. Caso isso não ocorra e que tenhamos um outro caminho, a gente tem também um plano B e C. A gente só deixou claro desde o início que a nossa intenção é que o plano A, que é a permanência lá (em Morristown), fosse confirmado. Mas vai depender da última rodada. Primeiro de tudo é classificar bem, fazer um outro bom jogo e esperar o resultado do adversário — explicou.
Cenário até para o terceiro lugar
A avaliação interna é que permanecer conectado à base montada pela CBF reduz significativamente o desgaste físico e logístico. Além de evitar mudanças constantes de hotel, a estratégia permite que os jogadores mantenham os mesmos protocolos de recuperação e a mesma rotina de trabalho ao longo das fases decisivas da competição.
O cenário fica ainda mais imprevisível em caso de classificação como terceiro colocado. Nessa hipótese, os 16 avos de final poderiam ser disputados em Boston, Nova Jersey ou Cidade do México. As oitavas teriam como possíveis sedes Filadélfia ou Cidade do México, enquanto as quartas seriam realizadas em Miami ou Boston. Já a semifinal aconteceria em Dallas ou Atlanta.
Por isso, além da vantagem esportiva de enfrentar adversários teoricamente mais acessíveis, a liderança do Grupo C é vista dentro da seleção como um ativo importante para a reta decisiva da Copa. Em um torneio no qual os detalhes fazem diferença, permanecer próximo da estrutura montada em Nova Jersey pode representar menos desgaste entre viagens, mais tempo de recuperação e uma rotina de trabalho já consolidada desde a chegada aos Estados Unidos.
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