Peru. Roberto Sánchez denuncia “fraude em curso” em eleições – Observador

O candidato de esquerda Roberto Sánchez declarou que vai recorrer para a comissão eleitoral do Peru da rejeição do pedido para anular os votos no estrangeiro da segunda volta das presidenciais.

Na terça-feira, um júri eleitoral especial do Peru rejeitou, por improcedente, o pedido de Roberto Sánchez para anular os votos das mesas sob responsabilidade das repartições consulares na África, América do Norte, América Central e Caribe, América do Sul, Ásia e Médio Oriente, Europa e Oceânia.

Na quarta-feira, Roberto Sánchez denunciou o que chamou de “fraude em curso” e afirmou que não reconhecerá a adversária Keiko Fujimori (direita) como vencedora da segunda volta das eleições.

Fujimori lidera com uma vantagem de mais de 44.000 votos, num universo superior a 19 milhões de sufrágios contabilizados. Restam 131 atas por apurar, representando cerca de 39.300 votos, número insuficiente para que Sánchez consiga recuperar.

“Temos os nossos motivos, e há magistrados que apoiam a nossa versão, porque não fomos nós que provocámos esta grave irregularidade”, disse Sánchez.

Segundo afirmou, irregularidades administrativas e na conservação do material eleitoral teriam afetado o sufrágio fora do país, que representa cerca de 300 mil votos e beneficiou amplamente a sua rival.

De acordo com Sánchez, excluindo os votos emitidos fora do território nacional, teria uma vantagem de cerca de 25 mil votos sobre Keiko Fujimori.

Fujimori afirmou que espera que a comissão eleitoral proclame oficialmente os resultados nos próximos dias para que possa começar a formar governo e preparar as primeiras medidas da nova administração.

“É importante que recebamos a proclamação oficial dos órgãos eleitorais nos próximos dias”, disse a candidata.

A líder do partido Força Popular declarou compreender como Sánchez se sente, pois já passou pela mesma situação por três vezes, tendo sido derrotada na segunda volta das eleições presidenciais por Ollanta Humala (2011), Pedro Pablo Kuczynski (2016) e Pedro Castillo (2021), os dois últimos por uma margem de apenas 40 mil votos.

Entretanto, a missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Peru reiterou na quarta-feira que não observou qualquer irregularidade na contagem dos votos da segunda volta das eleições presidenciais, nem dentro nem fora do país andino.

A OEA especificou que o grupo de trabalho esteve presente em todo o território nacional e em quatro cidades no estrangeiro, e que, com 99,86% das urnas apuradas, “não identificou qualquer irregularidade, nem a nível nacional nem no estrangeiro, que tenha alterado a vontade de milhões de peruanos expressa nas urnas no dia 07 de junho”.

Também uma missão da União Europeia considerou que a segunda volta decorreu de forma “calma e ordenada”, apesar de uma campanha fortemente polarizada.


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