Peru. Presidente pede reconciliação entre forças políticas – Observador

A dirigente conservadora Keiko Fujimori apelou na quarta-feira a uma reconciliação entre as forças políticas do Peru para superar uma década de instabilidade, durante um evento que marcou o seu reconhecimento oficial como Presidente eleita.

Keiko Fujimori, de 51 anos, impôs-se na segunda volta por uma margem reduzida frente ao candidato de esquerda Roberto Sánchez e sucederá ao Presidente interino José Maria Balcázar, a 28 de julho, para um mandato até 2031.

Num país marcado por instabilidade política crónica, Fujimori será a nona chefe de Estado desde 2016. Vários dos seus antecessores foram destituídos pelo Congresso, onde o ‘fujimorismo’ é uma força relevante, ou renunciaram antes de enfrentar o mesmo destino.

“Pensar de forma diferente não nos torna inimigos. A reconciliação nacional não significa esquecer as nossas diferenças: significa aprender a construir sobre o que nos une”, declarou a Presidente eleita após receber as credenciais no Teatro Nacional de Lima.

“Nenhum governo pode fazer avançar o Peru se continuar a alimentar a divisão”, acrescentou, apelando às forças políticas, instituições públicas, organizações profissionais e ao meio académico para trabalharem em conjunto.

A vitória de Fujimori marca o regresso do ‘fujimorismo’ ao poder, mais de duas décadas após a queda do seu pai, o ex-Presidente Alberto Fujimori (1990-2000), cujo legado continua a dividir profundamente os peruanos.

Mais tarde, o seu rival Roberto Sánchez rejeitou qualquer possibilidade de reconciliação, acusando o bloco parlamentar fujimorista e outros de terem protegido a ex-Presidente Dina Boluarte (2022-2025) das acusações relacionadas com a morte de dezenas de manifestantes.

“Como poderíamos ir beijar-lhe a mão? (…) A primeira coisa que a senhora Fujimori deveria fazer é ajoelhar-se e pedir perdão”, criticou Sánchez perante apoiantes reunidos na sede do seu partido em Lima.

Segundo o politólogo Eduardo Dargent, a líder do partido Fuerza Popular enfrenta dois grandes desafios: “assegurar a governabilidade“, já que não dispõe de maioria no Congresso, e “cumprir as promessas de campanha de restabelecer a ordem na luta contra a criminalidade”.

O crime organizado e a insegurança foram as principais preocupações dos eleitores peruanos. Em 2025, registaram-se cerca de 26.500 casos de extorsão, nove vezes mais do que cinco anos antes.


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