Pedro Ventaneira acompanha José Furtado na administração do BCI em Moçambique e BPI admite vender

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) entra numa nova fase. O BCI que é líder de mercado em Moçambique, com uma quota de 30%, vai ter uma nova administração executiva, liderada por José Athayde Furtado, e que terá como administrador financeiro o português Pedro Ventaneira (que esteve no Haitong Bank e no Banco Montepio). O BPI está interessado em vender e já manifestou à CGD.

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) entra numa nova fase. O BCI que é líder de mercado em Moçambique, com uma quota de 30%, vai ter uma nova administração executiva, liderada por José Athayde Furtado, e que terá como administrador financeiro o português Pedro Ventaneira (que esteve no Haitong Bank e no Banco Montepio), apurou o Jornal Económico.

O Banco de Moçambique aprovou a nova composição dos órgãos sociais do Banco Comercial e de Investimentos (BCI) que em comunicado anuncia que estão “reunidas as condições para o início de um novo ciclo de governação institucional”, estando a entrada em funções prevista para “ao longo das próximas semanas”.

O Conselho de Administração do maior banco moçambicano continuará a ser presidido por Carlos Agostinho do Rosário, antigo primeiro-ministro de Moçambique, na qualidade de presidente não executivo (chairman), mantendo a tutela da orientação estratégica e supervisão da atividade do banco.

O anterior presidente da comissão executiva, Francisco Costa, transita para o Conselho de Administração como vice-presidente não executivo.

A liderança executiva (CEO) da nova comissão executiva foi entregue a José Furtado, que regressa ao BCI após ter integrado a administração do banco entre 2013 e 2020.

O comunicado do BCI destaca os mais de 30 anos de experiência no setor financeiro e em organizações internacionais de José Furtado que desenvolveu o seu percurso profissional e académico em Moçambique, Portugal, Estados Unidos e Reino Unido.

“Assumo a liderança do BCI com profundo sentido de responsabilidade, mas também com enorme entusiasmo e convicção no futuro desta instituição”, afirmou o novo presidente da comissão executiva, citado no comunicado, acrescentando o objetivo de construir um banco “ainda mais forte, mais moderno, mais eficiente”.

A nova comissão executiva do BCI integra ainda Raul Almeida (da CGD), George Ibraimo Mandawa, Farhana Suleman Razak, Fátima da Conceição, Nuno Pargana (que é também quadro do BPI) e Pedro Ventaneira.

Foram também eleitos os novos membros da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal.

Com uma história de três décadas no mercado moçambicano, o BCI sublinha que os novos órgãos sociais assumem funções num momento “particularmente relevante para o setor financeiro nacional”, reafirmando o compromisso com a inclusão financeira e o desenvolvimento sustentável do país.

A estrutura acionista do BCI – Banco Comercial e Investimentos (Moçambique) é maioritariamente controlada pelo grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD), que detém mais de 60% do capital através da Caixa Participações e de forma direta, contando ainda com o banco português BPI com uma participação de 35,67%.

O BPI quer vender a sua participação no banco moçambicano.

João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI já admitiu que as participações em Angola e Moçambique “não são estratégicas” e, questionado pelos jornalistas, assumiu que isso significa que admite vender.

“Quando afirmo publicamente que são participações não estratégicas quer dizer que estou disponível para vender”, afirmou na conferência de imprensa em Lisboa de apresentação dos resultados de 2025.

No ano passado o BCI deu um contributo negativo de 20 milhões de euros ao BPI devido à deterioração da dívida de Moçambique (o que compara com 38 milhões de euros positivos em 2024).

Sobre o banco em Moçambique, João Pedro Oliveira e Costa disse que o BPI não irá fazer nada sem “informação prévia à CGD”. Embora ainda não esteja formalmente desencadeado o processo formal, já há conversas entre os bancos sobre o assunto, sabe o Jornal Económico.

O BPI está vendedor e já não tem representantes no board do banco moçambicano. O seu acionista Caixabank é fortemente favorável à venda da participação financeira no BCI.

Por outro lado, o caso trágico da morte do administrador nomeado pelo BPI para o banco em Moçambique acelerou a estratégia de tentar vender a sua participação, segundo fontes conhecedoras do processo.

Numa conferência de imprensa no início do ano o presidente da comissão executiva do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, pediu que a “investigação vá até ao fim para ter a certeza completa” sobre as circunstâncias em que morreu o português Pedro Ferraz dos Reis, administrador do BCI.


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