OMS admite transmissão humana de hantavírus no cruzeiro retido em Cabo Verde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) admite a possibilidade de transmissão entre humanos do hantavírus no navio de cruzeiro Hondius, que permanece ao largo de Cabo Verde devido a um surto que já provocou três mortos. A embarcação transporta cerca de 150 pessoas, entre passageiros e tripulação, incluindo um cidadão português.

A hipótese foi avançada por Maria Van Kerkhove, diretora de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da OMS, que explicou que alguns dos casos registados tiveram contactos muito próximos entre si. “Sabemos que alguns dos casos tiveram contacto muito próximo entre si e, certamente, a transmissão de pessoa para pessoa não pode ser descartada, por isso, por precaução, é isso que estamos a considerar”, afirmou aos jornalistas.

Segundo a OMS, a prioridade é retirar do navio os dois pacientes que permanecem infetados a bordo. O surto já resultou na morte de três pessoas, embora não tenham sido divulgados mais detalhes clínicos sobre as vítimas.

Após a evacuação dos doentes, o Hondius poderá retomar a viagem, seguindo para as Ilhas Canárias, destino final de um cruzeiro de observação de vida selvagem que teve início na Argentina.

A agência das Nações Unidas sublinha, contudo, que o risco de transmissão para o público em geral é considerado reduzido, uma vez que os casos estão circunscritos a um número limitado de pessoas.

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A avaliação da situação epidemiológica foi possível depois de equipas médicas terem embarcado no navio para analisar o surto no local. Além da observação clínica, os profissionais aproveitaram para entregar equipamento adicional de proteção individual aos ocupantes da embarcação.

Embora a OMS não tenha certezas absolutas sobre a origem do contágio, admite-se que as pessoas infetadas possam ter contraído o vírus ainda fora do navio, desenvolvendo sintomas já durante a viagem.

Enquanto se aguarda a retirada dos doentes, a prioridade mantém-se na vigilância de todos os restantes passageiros e tripulantes, com o objetivo de garantir que permanecem assintomáticos.

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Existe uma recomendação clara para que todos utilizem equipamento de proteção individual, numa tentativa de travar qualquer eventual propagação adicional do vírus dentro do navio.

O Hondius continua, assim, ao largo de Cabo Verde, sob acompanhamento das autoridades de saúde, num cenário que permanece sob avaliação permanente por parte da OMS e de outras autoridades de saúde.

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