O recorde mundial que quase ninguém conhece: a queda de 1.800 metros escondida no extremo noroeste – Brasil 247

Localizado em Derrubadas, no extremo noroeste do Rio Grande do Sul, o Salto do Yucumã é um fenômeno geológico único. Com 1.800 metros de extensão, é a maior queda longitudinal do mundo, onde o Rio Uruguai se abre em uma fenda basáltica paralela ao seu próprio leito, criando um espetáculo natural raro protegido pelo Parque Estadual do Turvo.

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O que torna o Yucumã extraordinário é a sua geometria: a água despenca lateralmente em uma fenda basáltica, e não perpendicularmente como as cataratas tradicionais. A fenda chega a 120 metros de profundidade, e o salto é tão sensível ao volume das águas que pode ficar submerso em dias de chuva intensa, tornando a visita uma experiência inesquecível de conexão com o ciclo da natureza.

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O Parque Estadual do Turvo é um santuário de biodiversidade, preservando 17.500 hectares de mata nativa. É o último refúgio gaúcho de espécies icônicas como a onça-pintada, a anta e o gavião-real. O parque não é apenas um destino de observação, mas um centro educacional que preserva a rica memória dos “balseiros do Rio Uruguai”, que transportavam madeira na região em décadas passadas.

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Para visitar este gigante gaúcho, o planejamento é essencial. É recomendado verificar as câmeras ao vivo do parque antes de viajar para garantir que o salto esteja visível e realizar o agendamento online obrigatório. Entre trilhas pela Mata Atlântica e a contemplação das corredeiras do Uruguai, o Yucumã afirma-se como um dos segredos mais bem guardados do ecoturismo no Brasil.

A 448 km de Porto Alegre, no município de Derrubadas, o Salto do Yucumã é uma exceção geológica no planeta. Em vez de despencar em uma queda vertical como as cataratas tradicionais, o Rio Uruguai se abre em uma fenda paralela ao próprio leito e forma uma cortina de água de 1.800 metros de extensão, considerada por pesquisadores e pelo Governo do Rio Grande do Sul a maior queda longitudinal do mundo. O fenômeno acontece dentro do Parque Estadual do Turvo, unidade de conservação criada em 1947 e ampliada em 1954, hoje o último refúgio da onça-pintada, do gavião-real e da anta no estado.

Um degrau basáltico paralelo ao rio, não perpendicular

O que faz do Salto do Yucumã um caso raro no mundo é a geometria. Enquanto cachoeiras como as de Iguaçu, a apenas 470 km dali, correm em quedas perpendiculares ao leito do rio, o Yucumã cai lateralmente, com o Rio Uruguai se abrindo numa fenda basáltica ao lado do curso principal. Segundo o Parque Estadual do Turvo, esse degrau tem 1.800 metros de extensão e as quedas variam de acordo com o volume do rio.

O canal onde a água se precipita tem largura média de 30 metros e profundidade estimada entre 90 e 120 metros. As quedas podem alcançar até 20 metros de altura em períodos de nível baixo, mas ficam totalmente submersas quando o rio enche. A visita, portanto, é sempre uma aposta na natureza. O parque instalou câmeras ao vivo que permitem aos turistas verificar em tempo real se o salto está visível antes de sair de casa.

Salto do Yucumã, Rio Grande do Sul // Créditos: Wikipedia

A área protegida que abriga a última onça-pintada do estado

Parque Estadual do Turvo foi criado pelo Decreto Estadual nº 2.312, de 11 de março de 1947, como Reserva Florestal, e institucionalizado como parque estadual pela Lei nº 2.440, de 2 de outubro de 1954. Segundo dados oficiais divulgados pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, tem cerca de 17.500 hectares e é a maior área protegida de proteção integral do estado.

É considerada a última porção significativa da vegetação do Alto Uruguai no Rio Grande do Sul, o que garante ao parque um papel único na conservação da fauna gaúcha ameaçada de extinção. Além da onça-pintada, do gavião-real e da anta, o parque abriga o puma, o cateto, o uiraçu e o cachorro-vinagre. A entrada de visitantes é limitada a 464 pessoas por dia, controlada por agendamento online.

Salto do Yucumã, Rio Grande do Sul // Créditos: Wikipedia

O que fazer no Parque Estadual do Turvo?

A visita combina o salto com trilhas na Mata Atlântica preservada, passeios de bicicleta e observação de fauna. Um dia completo é suficiente para o roteiro básico.

  • Salto do Yucumã: caminhada de 400 a 500 metros até o lajedo com vista para os 1.800 metros da fenda basáltica no leito do Rio Uruguai.
  • Trilha das Lagoas: 1.300 metros perto do Centro de Visitantes, cerca de 45 minutos, passa por espécies como samambaiaçu, cedro e canafístula centenária.
  • Trilha das Onças: 1.500 metros próxima à área do salto, cerca de 45 minutos, com pegadas de fauna e vista para o Rio Uruguai.
  • Centro de Visitantes: inaugurado em julho de 2012, tem mostra da biodiversidade, exposição sobre os balseiros do Rio Uruguai, monitores ambientais, lanchonete e loja de souvenirs.
  • Estrada dentro do parque: percurso de 15 km em terra batida que atravessa a Mata do Alto Uruguai até a área do salto, feito de carro próprio ou bicicleta.
  • Marco das Três Fronteiras: encontro entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a província argentina de Misiones, acessível por barco.
  • Clareira das Antas: área com lagoas e jabuticabais no caminho até o salto, atrai várias espécies da fauna local.
  • Balneários de Derrubadas: opções como Parque das Fontes e Balneário Martens, no entorno do parque.

Quem deseja explorar uma das maravilhas naturais mais impressionantes do Brasil vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 50 mil visualizações, onde apresentam o Salto do Yucumã.

A história dos balseiros do Rio Uruguai

Antes de virar unidade de conservação, o trecho do Rio Uruguai onde fica o Yucumã era rota de trabalho dos balseiros, homens que transportavam toras de madeira entre o Rio Grande do Sul e a Argentina em jangadas amarradas com cipó. A atividade foi intensa entre 1940 e 1960 e virou parte da memória cultural da região.

O Centro de Visitantes do parque dedica um espaço específico a essa história, com fotos, mapas e objetos usados pelos balseiros. Muitos dos que trabalharam nas balsas ainda vivem em Derrubadas e nas cidades vizinhas, e algumas famílias mantêm a tradição de contar as travessias em relatos orais. A prática foi encerrada com a criação de barragens no Rio Uruguai e a proibição do transporte de toras.

Como é o clima no Salto do Yucumã durante o ano?

O clima subtropical úmido de Derrubadas tem quatro estações bem marcadas. As chuvas são distribuídas ao longo do ano, com maior volume no verão e no início do outono.

Junho a Agosto
8°C a 22°C

🌤️ Média

Época de Ouro! Melhor visibilidade do Salto.

⭐ SALTO DO YUCUMÃ

Setembro a Novembro
13°C a 28°C

🌤️ Média

Fauna ativa na Clareira das Antas.

☀️ FAUNA E FLORA

Dezembro a Fevereiro
19°C a 32°C

☔ Alta

Volume máximo de água no Rio Uruguai.

🌧️ RIO CHEIO

Ano todo
Variável

🌤️ Mista

Explore a Trilha das Onças.

🌳 TRILHAS

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao Salto do Yucumã saindo de Porto Alegre

De carro, o trajeto de 448 km é feito pela BR-386 até Carazinho, com desvio para a BR-158 e a BR-472 até Tenente Portela. Depois, mais 21 km até Derrubadas, e outros 4 km até a portaria do Parque Estadual do Turvo. A viagem dura entre 6 e 7 horas.

O aeroporto mais próximo é o de Chapecó, em Santa Catarina, a 180 km. Também é possível chegar por Puerto Iguazú, na Argentina, com linha direta da empresa Crucero del Norte até El Soberbio, do outro lado da fronteira. A cidade de Frederico Westphalen, a 72 km, é a base regional recomendada para hospedagem.

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Vale a pena conhecer o Salto do Yucumã

Poucos fenômenos naturais no mundo conseguem juntar em um mesmo endereço uma cachoeira longitudinal única, um dos últimos refúgios da Mata Atlântica gaúcha e a memória dos balseiros do Rio Uruguai. O Salto do Yucumã faz isso a poucos quilômetros da fronteira com a Argentina, longe dos roteiros turísticos mais explorados do Sul.

Você precisa reservar dois dias e sentir a força do rio que virou espetáculo natural no extremo noroeste do Rio Grande do Sul.

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