Uma nova tecnologia aplicada à produção de etanol de milho permite reduzir em dez horas o processo de fermentação e aumentar a quantidade produzida sem exigir investimentos adicionais em infraestrutura, segundo Fernanda Firmino, vice-presidente da América do Sul na Lallemand Biofuels. A eficiência adicional pode gerar ganhos anuais de até R$ 34 milhões para uma usina.
Em entrevista nesta terça-feira (25) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Fernanda explicou que a solução permite realizar mais ciclos de fermentação utilizando os mesmos ativos, aumentando o processamento de milho e podendo acrescentar 10 milhões de litros de etanol por ano à produção.
Mais etanol com a mesma estrutura
A tecnologia atua diretamente sobre uma das etapas fundamentais da fabricação do biocombustível. “Isso acontece porque a tecnologia acelera a fermentação. Então nós temos, na produção de etanol, esse processo muito lindo que é a fermentação, que é transformar o milho, a cana, em etanol”, explicou Fernanda.
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A redução no tempo necessário para concluir cada ciclo permite ampliar o volume processado pela unidade. “Todo esse processo acontece de maneira mais rápida com a nossa tecnologia, uma redução de dez horas no tempo de fermentação”, afirmou.
O ganho se acumula ao longo do ano. “Quando essa redução acontece, nós temos mais ciclos. Quando há mais ciclos, a usina processa mais milho. Quando ela processa mais, consegue atingir esses 10 milhões a mais de etanol por ano”, destacou.
Segundo Fernanda, uma das principais vantagens é que não há necessidade de ampliar a infraestrutura existente. “Não é necessário nenhum investimento a mais. São os mesmos ativos”, afirmou.
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A proposta, segundo a executiva, é aumentar a eficiência operacional das usinas. “Trabalhar com eficiência é o que você vai fazer mais com menos. Com a mesma quantidade de substrato, você vai conseguir mais etanol, menos emissão de carbono e uma segurança na lucratividade e rentabilidade da usina”, explicou.
Menos gastos com enzimas
Além do aumento da produtividade, a tecnologia busca reduzir a necessidade de enzimas adquiridas externamente pelas biorrefinarias, diminuindo os custos de produção.
“É parte de toda a nossa tecnologia o foco na redução de enzimas. Enzimas são muito importantes no processo, porque transformam o amido do milho em açúcares que a levedura vai conseguir usar”, explicou Fernanda.
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A própria levedura desenvolvida pela companhia produz parte dessas enzimas durante seu crescimento. “A nossa levedura, enquanto ela cresce, vai expressando essas enzimas e, assim, as pessoas da biorrefinaria não precisam comprar. Tradicionalmente isso era comprado externamente”, afirmou.
O impacto financeiro pode ser relevante. Em uma usina que processe 1.000 toneladas por dia, a redução das compras desses insumos pode representar “uma economia de até R$ 4 milhões por ano”, segundo a executiva.
Tecnologia está no Brasil desde 2016
A Lallemand é originária de Montreal, no Canadá, e possui 15 unidades de negócios. A divisão de biocombustíveis está presente no mercado brasileiro desde 2016, com unidade de produção em Piracicaba, no interior de São Paulo.
“Foi a primeira empresa a criar uma levedura biotecnológica para conversão de milho em etanol nos Estados Unidos, técnica que hoje a gente aplica no Brasil”, afirmou Fernanda.
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A tecnologia também foi desenvolvida para a produção baseada em cana-de-açúcar. “É a primeira empresa que desenvolve e fornece uma levedura biotecnológica para o setor sucroalcooleiro, que é o setor brasileiro”, disse.
Segundo a executiva, o uso dessa solução permite que uma usina processe matéria-prima com os mesmos ativos e custos, alcançando “até 6% a mais de rendimento”.
Tecnologia participa de 15 bilhões de litros
A empresa não informou o número exato de usinas brasileiras que já utilizam suas soluções, mas Fernanda dimensionou a presença da tecnologia pelo volume produzido.
“Nós temos mais de 15 bilhões de litros de etanol hoje no Brasil produzidos com tecnologias Lallemand. O Brasil produz cerca de 40 bilhões”, afirmou.
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A expectativa da companhia acompanha a expansão da indústria nacional. “Nós estamos muito felizes com o crescimento do setor bioenergético, crescimento de etanol, principalmente no Brasil”, disse.
Para Fernanda, a biotecnologia terá papel importante na ampliação dessa produção. “Não existe produção de etanol sem as soluções biotecnológicas. É isso que faz com que o setor continue crescendo”, afirmou. Segundo ela, “o etanol brasileiro é essencial na transição energética global”.
Milho amplia mapa do etanol
A expansão do etanol de milho também está mudando a geografia da produção brasileira de biocombustíveis. Para Fernanda, a nova matéria-prima complementa a tradicional produção baseada em cana-de-açúcar.
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“O etanol de milho foi um grande presente para o Brasil, porque ele nos coloca em uma posição muito mais competitiva. O Brasil é um dos únicos países que têm duas matrizes robustas de bioenergia”, afirmou.
A executiva destacou que as usinas de milho produzem também DDG e óleo de milho, coprodutos importantes para a alimentação animal. Essa característica amplia o impacto econômico da atividade para além do combustível.
“Ele transformou polos agrícolas em polos bioenergéticos, como no Mato Grosso, trazendo muitos benefícios para a economia, e agora tem se estendido para outras áreas, como Norte e Nordeste”, explicou.
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Para Fernanda, a tendência é de continuidade desse movimento. “Está enriquecendo a economia do país como um todo. Eu vejo que é um fator de diferenciação. Está aqui para ficar”, afirmou.
A importância do mercado nacional também se reflete na estratégia global da companhia. “O Brasil é o segundo maior produtor do mundo. Então, estando nessa posição, nós estamos muito felizes com o andamento do negócio e a representatividade do Brasil é incontestável para nós”, concluiu.
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