Em entrevista à mídia vaticana, padre Ricardo Elías Guillén Dávila falou sobre situação enfrentada pelo país e frisou necessidade do povo de presença e proximidade
Da Redação, com Vatican News
Missionários e voluntários atuam no apoio a atingidos pelos terremotos na Venezuela / Foto: Reprodução Instagram OMP Venezuela
“Há um grande número de vítimas e feridos, muitas necessidades urgentes de abrigo, cuidados médicos, higiene, entre outros”. Em entrevista à mídia vaticana, o diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM) na Venezuela e vigário pastoral da Arquidiocese de Caracas, padre Ricardo Elías Guillén Dávila, falou sobre a situação vivida pelo país.
A Venezuela sofreu dois terremotos no dia 24 de junho, causando devastação em diversas partes de seu território. Até a noite desta terça-feira, 7, foram confirmadas 3.685 mortes no país. “É uma situação que não só nos sobrecarrega, como é sem precedentes”, afirma o sacerdote, que destaca, por outro lado, a solidariedade demonstrada pelo povo.
Proximidade e acolhimento
Padre Ricardo Elías Guillén / Foto: OMP Venezuela
Diante deste cenário, padre Guillén salienta o trabalho pastoral e missionário a ser realizado. “É verdade que devemos atender às necessidades materiais, mas o que mais se pede de nós, e o que o povo anseia e necessita, é a nossa presença, a nossa proximidade espiritual, o nosso acompanhamento, a nossa escuta e, sobretudo, os sacramentos”, pontua.
A instrução é que a presença como pastores seja um sinal de esperança no meio do povo, indo aos abrigos e refúgios, permanecendo ao seu lado e chorando as dores sofridas. As POM, juntamente com iniciativas diocesanas em resposta aos terremotos, convidam todos, especialmente os jovens e as famílias missionárias, a irem a esses lugares.
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“Devemos compreender que a evangelização neste momento envolve não muitas palavras ou muitos discursos — é uma situação muito difícil —, mas sim conforto, proximidade, pequenos gestos, estar com as pessoas. Creio que, como fez Nosso Senhor, devemos estar onde há sofrimento e oferecer uma palavra oportuna, mas também um gesto de solidariedade e amor”, expressa o sacerdote.
“Deus está sempre ao lado da vítima”
Diante do questionamento que surge acerca do “papel de Deus” em tudo isso, o vigário aprofunda o significado cristão das provações que a Venezuela atravessa. “Só temos a Cruz de Nosso Senhor, e sabemos que Deus está sempre ao lado da vítima. Nosso Senhor sofre conosco nesta tragédia, que é natural, parte das próprias leis da natureza”, afirma.
“A resposta, além de racional, é a resposta daqueles que permanecem próximos aos que sofrem e que demonstram, por meio de sua presença e dor compartilhada, que Deus continua a acompanhá-los”, prossegue padre Guillén. “Creio que também devemos proclamar que Deus ainda está conosco e que a esperança é uma virtude que nos vem de Deus; devemos pedi-la porque precisamos reconstruir”, conclui.
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