Brasil condena violência de colonos na Cisjordânia e diz deplorar falas de Israel – 28/07/2026 – Mundo
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu uma nota nesta terça-feira (28) condenando “nos mais fortes termos” a onda de violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada. No texto, especialmente duro para um comunicado diplomático, o Itamaraty diz ainda “deplorar” as falas do governo de Israel prometendo a aprovação de mais assentamentos ilegais no território palestino.
“O governo brasileiro condena, nos mais fortes termos, a mais recente onda de ataques de colonos israelenses na Cisjordânia —em muitos casos acompanhados por forças israelenses de segurança— contra a vida, integridade física e propriedade de civis palestinos”, disse a chancelaria.
Na última sexta (24), um confronto na vila de Tal, a sudoeste de Nablus, deixou quatro palestinos e dois israelenses (um colono e um militar) mortos, um dos casos de violência mais graves desde que ataques de colonos contra vilarejos palestinos aumentaram este ano.
Já no domingo (26), colonos israelenses incendiaram e picharam duas mesquitas no norte da Cisjordânia. Os agressores também picharam Estrelas de Davi nas paredes e mensagens incluindo a palavra “vingança” em hebraico.
O Exército israelense informou que tropas foram enviadas aos arredores de Qusra após receberem a denúncia de um incêndio em uma mesquita. “Os soldados procuraram suspeitos que haviam fugido antes de sua chegada e identificaram sinais de incêndio criminoso e pichações no local”, afirmou a corporação.
As Forças Armadas de Israel, que exercem controle sobre a Cisjordânia em uma ocupação considerada ilegal pela comunidade internacional, possuem um histórico de negligência quanto à apuração de crimes cometidos por colonos.
Segundo dados da Autoridade Palestina, 87 palestinos foram mortos na Cisjordânia desde o início deste ano, incluindo 21 mortos por colonos de assentamentos judaicos. Dados das Nações Unidas indicam que cerca de 850 palestinos ficaram feridos em ataques de colonos israelenses desde o começo do ano.
A três meses das eleições em Israel, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu anunciou na sexta que seu governo expandirá os assentamentos na Cisjordânia. Essas vilas e, em alguns casos, cidades, são consideradas ilegais perante o direito internacional, que proíbe a transferência de população em território ocupado.
O ministro das Finanças, o extremista Bezalel Smotrich, usou o episódio para afirmar que as vilas palestinas próximas deveriam ser esvaziadas e que novos assentamentos deveriam ser estabelecidos nas proximidades para garantir a segurança. “Esta é a nossa resposta sionista apropriada aos terroristas e ao terrorismo”, afirmou.
Na nota, o Itamaraty insta Israel, “na condição de potência ocupante, a assegurar —em consonância com suas obrigações de direito internacional humanitário— proteção da população palestina e responsabilização de todos os envolvidos em atos de violência contra civis”.
A diplomacia brasileira lembrou ainda o parecer da Corte Internacional de Justiça (CIJ) de julho de 2024, que considerou ilegal a ocupação israelense da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, ordenando que Israel remova todos os assentamentos e pague reparações aos palestinos. O parecer não é vinculante.
Por fim, o Itamaraty disse “deplorar, nesse contexto, as declarações do governo israelense de que intensificará operações militares na Cisjordânia e acelerará a aprovação de assentamentos ilegais, ações que, além de contrárias ao direito internacional, só contribuirão para escalar as tensões na região”.
Cerca de 750 mil israelenses vivem na Cisjordânia, incluindo 250 mil em Jerusalém Oriental e 500 mil em assentamentos, ao lado de aproximadamente 3 milhões de palestinos, que esperam que o território faça parte de um futuro Estado soberano.
Os assentamentos são conectados por estradas que, em geral, não podem ser acessadas por palestinos, que também estão sujeitos a controles militares e a outras restrições de movimento no território ocupado.
Além disso, os civis israelenses que moram na Cisjordânia estão sujeitos à lei civil de Israel, enquanto as Forças Armadas aplicam a lei militar contra palestinos que cometem crimes relacionados à “segurança nacional”. Essa aplicação dupla da lei é o cerne para a acusação de que Israel comete o crime de apartheid na Cisjordânia.
Israel, por sua vez, diz que suas ações são motivadas por preocupações de segurança e combate ao terrorismo, e que a aplicação diferencial da lei e a separação de estradas, entre outras medidas, não têm caráter racial —não podendo, dessa forma, ser caracterizadas como apartheid.
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